— Se é pelo bem da sua herança, por que ainda está hesitando? Por acaso você quer ficar parado assistindo o seu pai entregar tudo para aquela mulher e o filho dela?
— A herança é sua. Eu sou apenas a nora. Se o seu pai decidir não deixar nada para mim, não há nada que eu possa fazer.
Wilson continuou calado, embora soubesse muito bem que sua esposa tinha razão.
Trrriim, trrriim...
O telefone interno tocou.
— Senhor Vieira, aquela mulher chamada Júlia Almeida voltou. Ela foi barrada na recepção e está fazendo um escândalo no térreo, exigindo vê-lo — disse a secretária, cuja voz ecoou pelo escritório assim que Wilson atendeu a chamada no viva-voz, permitindo que ambos ouvissem.
— Entendido, aguarde minhas ordens — respondeu Wilson com um tom frio e distante.
Em seguida, ele desligou o telefone.
— Falando no rei, ele aparece. Wilson, ela provavelmente veio te trazer alguma coisa. Vá vê-la. Eu já vou indo. Lembre-se, ela é a nossa peça de xadrez; se não a usarmos, todo o nosso esforço terá sido em vão — disse Cíntia.
— Vou evitar dar de cara com ela. Espere até eu descer pelo elevador e, então, avise a recepção para deixá-la subir — completou Cíntia, levantando-se logo em seguida.
A secretária não estava querendo tomar o seu lugar?
Com a intromissão de Júlia Almeida, ela deixaria as duas mulheres, que desejavam substituí-la, lutarem entre si.
Naquele momento, Cíntia estava mais lúcida do que nunca.
Por mais que se esforçasse e fizesse de tudo, não conseguiria impedir Wilson de traí-la. Como ela mesma estava prestes a seduzir Francisco, os dois seriam infiéis. Sendo assim, que cada um brincasse do seu jeito.

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