— ...
Meu Deus, que um raio caia nesse homem logo!
Um estrondo ecoou pelos céus.
E realmente trovejou, mas o raio não atingiu Francisco; era apenas o prenúncio de uma tempestade.
No verão da Cidade A chovia muito e com frequência. Às vezes, chovia torrencialmente por uma semana inteira, alagando as ruas por toda parte.
— Vóvó Pinto, vai chover logo.
Daniela olhou para a idosa com um pedido mudo de socorro.
— É, a chuva já vai cair, Daniela. Entre rápido em casa, nós também já vamos — disse a idosa com um tom gentil.
Se a idosa estivesse sozinha, Daniela a convidaria para entrar, tomar um copo de água e jogar conversa fora. No entanto, com a presença de Francisco, ela abandonou a ideia.
— Vamos, hora de voltar. Vai chover, e se você continuar parado aí, vai fazer todo mundo se molhar. E leve o seu carro. Se ousar invadir a casa da Daniela novamente sem a permissão dela... — a idosa puxou o próprio neto, repreendendo-o.
— Eu mando arrancar todos os pneus do seu carro, vai ver! — esbravejou a idosa, após uma breve pausa.
O que os outros não tinham coragem de fazer, a velha senhora faria sem pestanejar.
— Vó...
Ao se virar, Francisco viu o carro de Victor estacionado em frente à entrada da vila.
Victor estava prestes a entrar a pé, mas, ao ver a avó e o neto, parou e cumprimentou a idosa com todo o respeito.
A idosa havia chegado tão rápido porque fora Victor quem ligara para ela.
Ela estava hospedada temporariamente na casa do Senhor Gustavo. Após receber a ligação de Victor, pediu imediatamente ao motorista que a trouxesse.
Felizmente, a casa do Senhor Gustavo não ficava longe dali, o que permitiu que ela chegasse em tão pouco tempo.
— Daniela, você está bem? O Francisco te fez alguma coisa?
Ele havia sido bloqueado pela equipe de segurança de Francisco e demorou um pouco para conseguir se livrar dos carros dos guarda-costas da Família Pinto.
Ele temia que o ciúme fizesse com que Francisco tomasse uma atitude drástica contra Daniela, ele rapidamente pediu socorro à Vóvó Pinto para que ela viesse intervir. A idosa sempre foi muito sensata; afinal, fora ela quem insistira para que Francisco devolvesse a liberdade a Daniela.
A senhora lhe dissera que estava hospedada com o Senhor Gustavo e, como as casas eram próximas, chegaria em um instante.
Pelo visto, seu pedido de ajuda chegara no momento exato.
— Ele não me faria mal nenhum, mas não me deixa em paz. É irritante — disse Daniela, balançando a cabeça.
Ela e Francisco haviam sido casados em duas vidas, e a maior intimidade que compartilharam fora um beijo.
Na vida passada, ele nunca quisera consumar o casamento; dormiram em quartos separados até o divórcio e, consequentemente, até a morte dela.
Nesta vida, no início, quando ela ainda nutria esperanças, chegou a desejar isso. Porém, quando o seu coração finalmente esfriou e Francisco quis ter uma vida conjugal plena com ela, foi a vez dela de rejeitá-lo.

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