Ele fulminou Victor com o olhar.
— Olho por olho, dente por dente — declarou Victor, friamente.
Uma sombra de irritação cruzou o rosto de Francisco.
— Chega! Os dois, para fora! Não preciso da ajuda de nenhum de vocês.
— Não ousem entrar até que a minha equipe termine a faxina! — alertou Daniela apressadamente, com medo de que começassem a brigar de novo, enquanto empurrava pessoalmente os dois homens para fora da cafeteria.
Em seguida, trancou a porta de vidro.
— Daniela, a culpa é do Victor! Foi ele quem confiscou as flores que eu te dei!
— Você pisoteou as minhas flores primeiro! Só paguei na mesma moeda. Francisco, você é desprezível!
Victor não recuou nem um milímetro.
Afinal, os dois já eram rivais declarados no amor. Francisco havia deixado claro que não preservaria a velha amizade deles. Se Francisco não respeitava os laços do passado, ele também não faria questão de agir como um cavalheiro.
Quem conseguisse conquistar a mulher, seria o vencedor absoluto.
Daniela simplesmente fingiu não ouvir a troca de farpas e acusações entre os dois homens lá fora.
— A minha dor de cabeça já tinha passado, mas agora voltou com tudo — desabafou Daniela, voltando ao caixa e tomando alguns goles do chá de camomila que a amiga lhe preparara.
— Você está super requisitada agora. Deixe que eles se virem, apenas assista ao espetáculo — riu Janaina.
Daniela revirou os olhos e colocou a xícara na mesa, começando a organizar o balcão. Janaina ainda estava conferindo o fechamento do caixa do dia.
Assim que os garçons terminassem de limpar as mesas, poderiam ir para casa. A livraria ao lado, por sua vez, só fecharia às onze horas da noite. Ainda havia vários estudantes lá dentro lendo e fazendo pesquisas.
À noite, poucas pessoas consumiam café, razão pela qual a cafeteria encerrava suas atividades uma hora mais cedo.
Daniela foi dar uma olhada na livraria e, após dar algumas orientações ao gerente, voltou à cafeteria.
Os dois trocaram olhares fulminantes, mas, no fim, concordaram silenciosamente.
Com a promessa garantida, Janaina liberou a entrada. Ao notar os mais de dez seguranças vestidos de preto esperando de prontidão, convidou-os a entrar para aguardarem dentro do estabelecimento.
Com meio ano de experiência gerindo seu próprio negócio, Daniela possuía uma agilidade invejável na contabilidade. Em menos de meia hora, o fechamento do caixa estava concluído.
— Janaina, nenhum erro, tudo bateu direitinho.
Daniela anunciou o resultado enquanto imprimia o relatório diário das movimentações.
— Você é rápida mesmo, Daniela. Fiquei uma hora encarando aqueles números até a visão embaçar, e ainda assim não tinha terminado.
Todos os dias, no encerramento da cafeteria, era Janaina quem cuidava das contas. Aquela tarefa exigia tanto tempo que ela só conseguia ir para casa perto da meia-noite.
Nesse quesito, ela sabia que ficava muito atrás de Daniela.

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