A senhora Sousa continuou: — Janaina, embora a família Sousa pertença à elite, não temos tantas regras rígidas quanto outras famílias ricas. Nós, os mais velhos, somos bastante de mente aberta.
— Desde que seja alguém que os nossos filhos amem, que tenha um bom caráter e uma origem honesta, nós aceitamos de braços abertos. O que importa é a felicidade deles.
— A nossa família já alcançou um patamar financeiro em que não há necessidade de casamentos por interesse. O Henrique tem plena capacidade de manter o império da família sozinho; ele não precisa de uma aliança matrimonial.
Segurando as mãos de Janaina e olhando-a com um sorriso carinhoso, a Senhora Sousa disse: — Janaina, toda a nossa família adora você. Fique tranquila, fomos nós que criamos o Henrique e conhecemos muito bem o caráter dele.
— Ele é um homem extremamente responsável com a família. Que tal dar uma chance a ele? Todos nós ficaríamos imensamente felizes em tê-la como parte da nossa família.
Janaina ficou sem palavras.
Agora ela finalmente compreendia o verdadeiro motivo da visita da Senhora Sousa.
Ela não viera jogar um cheque na sua cara para que se afastasse do Henrique. Pelo contrário, viera interceder a favor dele, atuando como uma espécie de cupido. Trouxera até fotografias para provar o quanto ele estava se esforçando por ela.
Para que ela comesse bem, ele aprendeu a cozinhar. Para se adaptar ao mundo dela, lutou contra a própria fobia. Para elevar o status social dela, indicou vários clientes para os negócios da sua família, fazendo com que a empresa deles prosperasse ainda mais.
Aquele homem estava se dedicando em silêncio, agindo nos bastidores. Ele a cortejava com um profundo respeito, sem jamais forçar a barra.
— Janaina, não estou querendo pressionar você. Apenas achei que você merecia saber o que o Henrique tem feito. Eu percebo que você não o odeia, mas que apenas receia o abismo social entre vocês.
— Se o seu medo é não estar à altura dele, posso garantir que a nossa família jamais a menosprezaria. Nunca pensaríamos que você não é digna do Henrique.
— Na verdade, se você decidir aceitar os sentimentos dele, nós seremos eternamente gratos. Finalmente alguém resolveu ficar com aquele meu filho encalhado! Ficaríamos radiantes e agradeceríamos a você. Jamais diríamos que você não o merece.
Ela também sentia a gentileza da Senhora Sousa. Era um afeto autêntico, não uma cena ensaiada.
Como a Elisa e as outras costumavam dizer, existiam diferenças gritantes entre as famílias da alta sociedade. Nem todas eram tão antiquadas e opressoras.
Após um longo silêncio, Janaina finalmente disse: — Senhora, eu entendo o que quer dizer. E agora eu sei de tudo o que o Henrique tem feito por mim.
— Mas um relacionamento não se constrói apenas com gratidão ou emoção. Por enquanto, o Henrique e eu ainda não cultivamos aquele tipo de sentimento profundo necessário para passar a vida juntos.
Por mais comovida que estivesse, comoção não era amor. Ela não iria prometer um romance instantâneo com Henrique só por causa das revelações da Senhora Sousa.
A Senhora Sousa sorriu compreensiva: — Eu sei, minha querida. Como eu disse, não estou forçando nada. Só queria que você entendesse a sinceridade dos sentimentos do Henrique e soubesse que todos nós gostamos de você. Queria apenas deixar clara a nossa posição.

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