Elisa Neves ou Patrícia Amaral?
Ambas disseram que teriam reuniões de manhã e não podiam beber, com medo de atrasar o trabalho do dia seguinte.
Empreendedoras bem-sucedidas eram muito mais disciplinadas.
Não era de admirar que tivessem se tornado mulheres tão poderosas, com as empresas indo de vento em popa.
Janaina Assis admirava profundamente aquelas duas grandes mulheres; ela também tinha ambição, mas não a mesma garra que elas.
Ela se contentava facilmente.
Com a carreira que possuía no momento, Janaina já se sentia muito satisfeita. O dinheiro que ganhava em um ano era algo que um trabalhador comum não conseguiria juntar em toda a vida.
Após ficar deitada na cama por um bom tempo, Janaina finalmente se levantou.
Primeiro, saiu do quarto para ver se a pessoa que a havia trazido para casa ainda estava ali. Assim que passou pela porta, viu Henrique Sousa; ele estava passando pano no chão.
Ele não vestia o terno de costume, mas sim roupas casuais. Usava um avental e luvas, esfregando o chão e, de vez em quando, parando para limpar a mesa, o sofá e os outros móveis.
Janaina ficou paralisada, sem conseguir dizer uma palavra por um longo tempo.
Teria sido Henrique quem a trouxe de volta na noite anterior?
Ou será que ele só havia chegado hoje? Não, se não fosse ele a trazê-la, não teria como entrar. Só quem a trouxe conseguiria pegar as chaves em sua bolsa para abrir a porta.
— Acordou? Está se sentindo mal? — perguntou Henrique com uma voz suave, virando a cabeça talvez ao perceber o olhar de Janaina, endireitando-se e sorrindo ao vê-la parada na porta.
— Como você veio parar aqui?
A voz de Janaina estava um pouco rouca.
Henrique encostou o esfregão na poltrona e foi buscar um copo de água morna para Janaina, entregando-o a ela para que umedecesse a garganta.
Janaina quis dizer que era uma compensação, não um presente.
— Fiquei na sua casa esta noite para cuidar de você. Muitas pessoas no condomínio me viram te trazendo e não me viram sair. Qualquer idiota saberia que eu passei a noite aqui. — ela o ouviu continuar.
— Mas nós não fizemos nada! Eu estava completamente bêbada, não lembro de nada. — disse Janaina apressadamente.
— Nós não fizemos nada, mas eu dormi aqui. Os outros não vão se importar se fizemos algo ou não, só vão dizer que passamos a noite juntos.
— Mesmo que eu jure de pés juntos, minha reputação vai ficar manchada. Se isso se espalhar, eu, que sou solteiro e não tenho namorada, nunca vou conseguir me casar e ficarei sozinho para sempre. Janaina, você tem que assumir a responsabilidade por mim.
— Eu não quero ficar sozinho para o resto da vida. Veja bem, não vou conseguir me casar por sua causa, então você tem que se responsabilizar por mim, não acha?
— ... Henrique, você, eu...
A língua dela travou, e, por um momento, não conseguiu articular uma frase completa.

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