— ... — Daniela ficou em silêncio.
— A parceria entre a Família Amaral e a Família Pinto vai se romper aos poucos. Como nós três, incluindo a Patrícia, temos um bom relacionamento, seria perfeitamente natural que a Família Neves e a Família Amaral transformassem essa rivalidade em aliança no futuro.
— No mundo dos negócios, não existe amizade nem rivalidade para sempre. No fim, tudo gira em torno de interesse.
Embora houvesse um tempo em que a Família Neves e a Família Amaral tivessem suas desavenças, nunca chegou a ser uma guerra de vida ou morte. Isso porque os negócios da família Amaral não batiam tanto de frente com os da família Neves.
Já com a Família Pinto era diferente: ambas competiam ferozmente em diversos mercados, tornando-se rivais mortais, a ponto de torcerem pela falência imediata uma da outra.
A proximidade entre Daniela e Elisa incomodava profundamente a família Pinto.
Mas, como Daniela estava se divorciando de Francisco, ela tinha total liberdade para escolher suas amizades.
Elisa, então, não precisava dar satisfação a ninguém; sempre fez o que quis e tratou bem quem quis.
Seguindo o conselho da amiga, Daniela acabou comprando um presente para Victor. Não era nada luxuoso, mas era adequado para o tipo de amizade que os dois tinham.
O que ela não sabia era que, assim que comprou a lembrança, Elisa enviou uma mensagem secreta para Victor, assumindo o crédito por ter incentivado Daniela a presenteá-lo.
Quando chegasse o dia do aniversário e ele recebesse a surpresa, teria que agradecer a ela por bancar a cupido. Elisa não pedia muito em troca; apenas desejava que, ao conquistar o coração de Daniela, ele a tratasse bem.
Que não fosse como Francisco, que se casou e não soube valorizar a mulher que tinha.
Victor ficou profundamente grato.
Ele sabia que Elisa tinha a intenção de juntar Daniela com Marlon. Foi apenas quando Marlon confessou à irmã que já gostava de outra pessoa que Elisa desistiu da ideia e passou a falar bem dele para Daniela.
Victor, naturalmente, estava grato.
Se conseguisse conquistar a amada, dedicaria o resto da vida a tratá-la bem, dando-lhe amor, mimos e proteção.
E mesmo se falhasse, contanto que Daniela fosse feliz, ainda que não fosse ao seu lado, ele a abençoaria sinceramente.
Amar de verdade era querer ver a pessoa feliz, mesmo que não fosse ao seu lado.
— Você acreditaria se eu dissesse que não?
— Eu sei que você está ocupado, mas se fizer um esforço, consegue arranjar um tempinho. Vamos ao cartório assinar o divórcio. — Daniela ficou em silêncio por um instante antes de responder.
— Você acabou de voltar de viagem e nem entrou em casa ainda, e já está me ligando desesperada para irmos ao cartório assinar o divórcio. Daniela, você não pode simplesmente beber um copo de água, comer alguma coisa e descansar primeiro? — rebateu Francisco.
— Podemos muito bem cuidar dessa papelada amanhã.
— Eu não estou cansada. Da Cidade D até aqui são apenas duas horas de carro. Ainda são pouco mais de dez da manhã; se formos ao cartório resolver logo isso, estarei de volta bem na hora do almoço.
Francisco ficou em completo silêncio.
Ela mal podia esperar para cortar os laços definitivamente.
Não importava o quanto ele se esforçasse, era impossível reconquistá-la.
Nos últimos dias, a situação piorara. Para fugir dele, Daniela acompanhara Elisa naquela viagem à Cidade D.

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