Gerson virou a cabeça mais uma vez para instruir o seu guarda-costas:
— Vá descobrir o que Elisa e Daniela vieram fazer na Cidade D.
O guarda-costas concordou com reverência.
Gerson ficou observando a direção em que Elisa havia desaparecido por um bom tempo, antes de finalmente dar meia-volta e ir embora.
Enquanto isso, após entrarem na suíte presidencial, Daniela comentou com Elisa:
— Elisa, esse Senhor Assis não é boa pessoa. Não se aproxime muito dele.
— Eu sei.
Elisa continuou:
— Ele é mulherengo, troca de mulher o tempo todo e, nos negócios, não pega leve com ninguém. Não se deixe enganar por esse sorriso fácil; por trás dele, tem veneno. Mas eu não tenho medo dele. Daniela, é você quem deveria manter distância.
— Sempre que o vir, tente desviar o caminho. Esse homem dá em cima de qualquer mulher bonita que aparece.
Daniela riu:
— Disso eu não tenho medo. Ele não tem o menor interesse em mim.
— Os olhos dele brilharam quando te viu. É por isso que estou te avisando para ficar longe dele. Ele não nutre sentimentos verdadeiros por ninguém.
— A irmã do Francisco é louca por ele. Faz escândalo com a mãe e com o irmão exigindo se casar com o Gerson.
Elisa perguntou a Daniela:
— Aceita uma água ou prefere outra coisa?
— Aceito um café. Fiquei sem o meu cochilo da tarde e estou com um pouco de sono.
Ela se aproximou dizendo:
— Deixa que eu mesma faço.
Elisa protestou:
— Não custa nada, sente-se. Eu sei que você tem ficado acordada até tarde nas gravações do drama, está muito mais cansada do que eu. Você disse que queria aprender sobre negócios comigo, por isso te trouxe nesta viagem, para que pudesse aprender um pouco mais.
— Estou com um pouco de sono, mas uma xícara de café já resolve. Elisa, obrigada por me dar essa força.
— Deixe de formalidades comigo, nós somos amigas.
— Vamos descansar um pouco e depois dar uma passada na empresa. É bem provável que tenhamos que fazer hora extra hoje à noite.
Se sentisse medo, estaria apenas fadada a repetir o mesmo fim de sua vida passada.
Acabaria morrendo pelas mãos de Cíntia mais uma vez.
— O Senhor Sousa gosta muito da Janaina. Eu já a aconselhei a não deixar de acreditar no amor por causa do meu casamento infeliz. O amor ainda é algo muito belo.
Ela é quem tinha tido má sorte.
Simplesmente não havia encontrado um homem que a amasse de verdade.
— Mais cedo ou mais tarde, Janaina vai acabar aceitando o Senhor Sousa. Mas e quanto a você?
Elisa fez uma pausa e perguntou:
— O que você acha do Victor?
— Acho ele ótimo. Pelo menos, até hoje, só vi as suas qualidades; nunca cheguei a presenciar seus defeitos.
— Elisa, não me diga que você quer fazer papel de cupido e me empurrar pro homem errado? O Victor é irmão da Patrícia, e eu também o considero como um irmão.
Elisa pousou a xícara de café, levantou-se, sentou-se ao lado de Daniela e passou o braço pelos ombros da amiga com familiaridade.
— Eu tenho quinze irmãos solteiros. Se eu fosse dar uma de cúpido e unir casais, começaria pelos meus irmãos. O Victor seria o último da fila.

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