Toda a Família Pinto sabia que a nova loja de Daniela inaugurava hoje.
Até o momento, exceto por Francisco, ninguém mais da Família Pinto havia aparecido.
Daniela nunca esperou que a família do marido viesse prestigiar. Sua sogra até tentara impedi-la de trabalhar. Além disso, como ela e Francisco estavam aguardando o divórcio, ela se importava ainda menos com a forma como a Família Pinto a tratava.
Isabel veio escondida.
Ao descer do carro e ver as duas lojas de Daniela tão movimentadas, sua expressão fechou imediatamente.
Ela ergueu o queixo, com o rosto rígido, e caminhou a passos largos.
— Olha só, que animação. Deve ter gastado um bom dinheiro contratando figurantes, não é?
As palavras de Isabel foram desagradáveis e sua voz, estridente, chegou aos ouvidos de todos num instante.
— Isabel? O que você está fazendo aqui?
Francisco, que ajudava Daniela a receber Victor, ouviu o comentário maldoso da irmã. Ele virou a cabeça e, imediatamente, fechou a cara.
— Irmão?
Isabel não esperava que o irmão mais velho também estivesse lá.
Logo em seguida, ela franziu a testa e repreendeu Francisco:
— Irmão, você não tem nada melhor para fazer? O que veio fazer num lugar desses? Vocês estão tratando do divórcio e você ainda vem aqui ajudar a receber os convidados dela?
Ela sentia que o irmão estava se humilhando por Daniela.
Isso era difícil para Isabel aceitar e a deixava muito irritada.
Quem Daniela pensava que era?
Será que Daniela merecia isso?
As mulheres que entravam para a Família Pinto deviam seguir as regras da família, comportar-se como Senhoras recatadas e ficar em casa, sem se expor publicamente.
Sua mãe e suas tias seguiam as regras, mas Daniela não.
Daniela disse indiferente:— Se a Senhorita Pinto quer tomar café, por favor, sente-se lá dentro. Tenho muitos convidados, então não vou atendê-la pessoalmente.
A cunhadinha não veio com boas intenções, mas com Francisco presente, qualquer confusão causada por ela seria resolvida por Francisco. Daniela não se dignava a brigar com essa cunhada mimada.
Isabel fez uma careta como se quisesse dizer algo, mas, sob o olhar severo do irmão mais velho, não ousou falar nada e entrou na loja.
As duas lojas eram ligadas, uma livraria e uma cafeteria.
Isabel entrou primeiro na livraria. Havia ainda mais pessoas na livraria do que na cafeteria; muitos pais traziam seus filhos para ver livros.
A livraria era decorada de forma muito acolhedora ao estilo literário, com muitas prateleiras cheias de livros de vários tipos. Na frente das prateleiras havia também longos sofás macios para que todos pudessem sentar e ler.
Apesar de haver muitas pessoas, a livraria era muito silenciosa. Todos, ao mergulhar no mar do conhecimento, falavam baixinho por instinto e manuseavam os livros com cuidado.
Isabel caminhou até a prateleira, fingindo pegar um livro para folhear. Na verdade, ela não conseguia se concentrar na leitura; folheou de maneira aleatória algumas páginas e fechou o livro, mas fez parecer um descuido, rasgando algumas folhas.
O som sibilante das páginas rasgadas chamou a atenção de todos.
Ela não se importou e começou a desfazer o embrulho de outros livros bem embalados, folheando de forma aleatória algumas páginas e, novamente, fingindo um descuido ao rasgar folhas.

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