Alguns minutos depois, Francisco desceu as escadas arrastando sua mala.
Juliana, ouvindo o barulho, saiu e, ao vê-lo com a bagagem, perguntou preocupada:— O Senhor vai viajar a negócios?
— Estou me mudando.
Francisco respondeu com a voz rouca:— Vou deixar esta casa para a Daniela. De agora em diante, a casa é dela.
— ... Mesmo o Senhor deixando a casa para a Senhora, não há necessidade de se mudar hoje. O divórcio de vocês ainda nem saiu, não é?
— Está chovendo lá fora, a Senhora está expulsando o Senhor sem piedade assim?
Francisco explicou:— Ela não me expulsou. Ela ia se mudar, mas eu a impedi. Já que dei a casa a ela, é dela. Eu é que saio.
— Juliana, eu já falei com ela, vocês se mudam daqui a alguns dias, esperem o Senhor Capelo se mudar, então vocês se mudam para o lado e me ajudam a esvaziar completamente meu quarto, eu quero redecorar.
— Enquanto eu não estiver aqui, cuidem bem da Daniela por mim. Digam a ela para comer direito, para não pular refeições e não ficar só focada no trabalho.
— Quando ela ficar acordada até tarde, tentem aconselhá-la a não fazer isso todos os dias.
— Eu queria deixar todos vocês para ela, mas ela recusou minha boa intenção. Ainda bem que comprei a casa do Senhor Capelo, seremos vizinhos, ainda poderei garantir a segurança dela.
Francisco suspirou pesadamente ao terminar de falar, virou a cabeça para olhar o segundo andar por alguns minutos e, finalmente, arrastou a mala em direção à saída.
Juliana correu para pegar um grande guarda-chuva e segui-lo, ligando também para o motorista particular de Francisco, pedindo que trouxesse o carro até a porta imediatamente.
Sabendo que não havia margem para negociação com Daniela, Juliana não disse mais nada.
Agora, nada do que dissesse adiantaria.
— Para onde o Senhor vai se mudar agora?
— Vou ficar na casa do topo da colina por um tempo. Quando a casa ao lado estiver pronta, eu me mudo para cá.
— Juliana, deixo a Daniela em suas mãos. Cuide bem dela.
Juliana assentiu repetidamente:— Pode deixar, Senhor. Enquanto eu estiver aqui, vou cuidar e zelar pela Senhora.
Francisco não disse mais nada e entrou no carro.
Ele não aceitou o guarda-chuva.
Adeus, Francisco!
Se possível, ela esperava nunca mais vê-lo pelo resto da vida.
Mas isso não era muito provável.
Enquanto ainda estivesse em Cidade A, que é grande ou pequena dependendo do ponto de vista, se ele quisesse vê-la, ainda poderia encontrá-la a qualquer momento.
Puxando a cortina, Daniela se afastou da janela, voltou para a cama e deitou-se para descansar mais um pouco.
Após um dia de descanso, Daniela voltou ao trabalho.
Rapidamente, chegou o dia da inauguração da nova loja dela e de Janaina Assis.
O horário auspicioso para a inauguração era às oito e trinta e oito da manhã. Amigos e familiares enviaram diversos arranjos de flores para ela, desejando sucesso na inauguração e prosperidade nos negócios.
Hoje o foco era apenas a celebração: quem entrasse na loja para tomar café ou comprar livros tinha 40% de desconto. Também seria dado um pequeno brinde aos clientes, como parte das atividades de inauguração.
Francisco também esteve presente.

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