A expressão de Francisco Pinto fechou-se, e sua voz ficou mais fria:— Isabel está com tempo livre demais!
— Daniela Vieira melhorou?
Juliana respondeu:— O médico veio vê-la e receitou remédios. Disse que a garganta da Senhora está inflamada e que se não tomasse o remédio teria febre. Depois de tomar a medicação, a Senhora parecia melhor, pelo menos não estava mais com dor de cabeça.
— A Senhorita Sales não ficou muito tempo, no total uns dez minutos, e foi embora.
Francisco Pinto disse, um pouco irritado:
— Entendi. Quando eu terminar aqui, vou procurá-la.
O trabalho de Eunice Sales havia sido transferido para o país, e sua mãe gostava muito dela. Francisco Pinto seria um tolo se não soubesse o que a mãe estava planejando.
Ele já estava casado e a mãe ainda criava tantos problemas.
Parecia que a mãe também estava com tempo livre demais.
Após encerrar a chamada, Francisco Pinto tratou rapidamente de alguns documentos importantes e passou o trabalho restante para Rafael Pinto, que acabara de voltar de viagem.
Saiu apressado da empresa para procurar Daniela Vieira.
Daniela Vieira foi à livraria, onde Janaina Assis também estava.
As duas verificaram a reforma, perguntaram aos mestres de obras e souberam que o trabalho terminaria em dois dias. Depois, bastaria contratar alguém para a limpeza e poderiam comprar as estantes, máquinas de café e outros equipamentos.
*Trim, trim...*
O celular de Daniela Vieira tocou.
Ao ver que a chamada era de Francisco Pinto, Daniela Vieira franziu a testa e murmurou algo baixinho que Janaina Assis não ouviu.
— Vou lá fora atender.
Janaina Assis fez sinal para que ela ficasse à vontade.
Daniela Vieira pegou o celular, saiu da loja e atendeu a ligação de Francisco Pinto do lado de fora.
— O que foi?
A voz de Daniela Vieira estava muito fria.
Aos ouvidos de Francisco Pinto, soou como se sua esposa tivesse entendido errado e estivesse com raiva.
— Daniela, deixe-me explicar. Não tenho nenhum sentimento romântico por Eunice Sales. O que Isabel disse, não leve a sério. Ela só fala bobagens e não tem boas intenções.
Francisco Pinto soltou um "ah" e perguntou:
— A reforma acabou?
— Sim, termina em dois dias. Eu e Janaina vamos ver agora os móveis e equipamentos que precisamos comprar.
Amanhã, a segunda mininovela seria lançada, e ela teria que virar a noite monitorando os dados. Depois, começariam as gravações da nova série curta, e ela acompanharia a equipe.
Estava muito ocupada.
Por isso foi comprar os móveis e equipamentos hoje. Assim que a limpeza da loja estivesse pronta, moveriam os equipamentos, organizariam tudo e escolheriam um bom dia para inaugurar.
Ainda precisavam contratar dois atendentes.
Janaina Assis raramente acompanhava as gravações. Ela dizia que cuidaria da loja e, cuidando da loja, também poderia escrever seus romances.
As duas dividiam o trabalho: uma cuidava das filmagens, a outra da livraria e cafeteria.
Os lucros eram divididos meio a meio.
— Chego aí em cinco minutos. Vou acompanhar você para comprar os móveis.

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