Quando o noivo ideal de Manuela ainda era Frederico, ela tinha inúmeras ideias e sonhos para o casamento.
Assim que os dois decidiram que assinariam os papéis no Dia dos Namorados, ela começou a avaliar propostas de assessoras com dois meses de antecedência.
Mas agora que o noivo havia mudado para Álvaro, ela já não tinha exigência nenhuma.
Depois de pensar um pouco, pediu que a assessora salvasse seu número e combinou de receber algumas propostas, com a intenção de escolher a mais econômica e prática possível.
De volta ao posto, continuou trabalhando como se absolutamente nada tivesse acontecido.
Só no fim do expediente a chuva caiu de vez sobre o aeroporto. Nem eram três da tarde ainda, mas o céu estava tão fechado que parecia noite.
O temporal fazia muita gente desistir de sair pelos portões.
Como a casa de Álvaro ficava perto, Manuela costumava ir a pé. Mas a chuva tinha travado o trânsito, e até pedir carro por aplicativo estava quase impossível.
Ela só podia ficar parada ali, esperando a tempestade diminuir.
Foi exatamente nesse momento que viu passar lentamente diante dela um carro que conhecia melhor do que ninguém.
A plaquinha de madeira com o número de telefone no painel tinha sido feita por suas próprias mãos para Frederico.
Mas ele não parou. E Manuela viu perfeitamente a mulher sentada no banco do passageiro: era Leona.
Sem querer, a lembrança daquela noite chuvosa em que decidiu aceitar namorar com ele invadiu sua mente.
Naquele dia, para que ela não se molhasse, Frederico correu feito louco debaixo da chuva, comprou um guarda-chuva e o protegeu contra o próprio peito, ficando encharcado da cabeça aos pés, só para entregá-lo completamente seco a ela, como se lhe oferecesse um tesouro.
Manuela riu, chamando-o de bobo por comprar um guarda-chuva e não usá-lo. Na época, cheio de energia juvenil, ele respondeu apenas que havia comprado aquilo para a namorada e que só ela podia usar.
Foi assim que a jovem Manuela, descobrindo o amor, o guardou no fundo do coração.
Era preciso admitir: quando Frederico queria conquistá-la, ele a tratava incrivelmente bem. Tão bem que ela não conseguia resistir às investidas dele, tão bem que a fazia acreditar que era a mulher mais sortuda do mundo por encontrar alguém disposto a se dedicar a ela de corpo e alma.
Mas agora ela sabia que todo aquele carinho tinha um propósito oculto.
— Você não foi se reconciliar com ela? Eu não te falei? Ela ainda é jovem, tem um temperamento um pouco mais forte. É normal ser mais sensível quando o assunto é relacionamento.
— Leona, você não sabe de nada. Eu ainda nem concordei oficialmente em casar no civil, e ela tomou todas essas decisões sozinha. Ainda arrumou um homem para fingir ser o marido, me mandou foto de uma certidão falsa para me provocar e até contratou assessora de casamento. É tudo... um absurdo, entende?
Um traço de insatisfação passou por seus olhos. Quando ela havia sugerido o casamento antes, ele já tinha deixado claro que precisava de mais tempo.
Mas nunca imaginou que Manuela seria tão precipitada, e o que ele menos tolerava era:
— Ela tem ciúme de você. Chegou a me chamar de nojento. Ela simplesmente não entende a nossa história... Quer saber? Deixa pra lá. Não precisa levá-la para casa hoje. Mesmo que ela tenha visto, não tem problema. No máximo vai ficar emburrada por alguns dias, mas ela é fácil de contornar.
Ao ouvir isso, Leona soltou uma risada contida e balançou a cabeça, tentando confortá-lo:
— Ah, você é mesmo infantil. Mas o fato de ela nos interpretar desse jeito realmente é triste. Mesmo que tenha havido algo entre nós no passado, isso ficou para trás; agora nossa relação é apenas familiar. Se ela guarda tanto ressentimento assim, como vai ser quando vocês se casarem? Essa menina ainda é imatura demais.
Ouvindo o comentário de Leona, Frederico franziu a testa. Aproveitando o congestionamento logo à frente, pegou o celular, abriu a conversa com Manuela e digitou uma mensagem.
[A Leona vai se encontrar com um cliente muito importante, alguém essencial para a retomada do cargo dela. Chame um carro por aplicativo e vá para casa. Não fique imaginando coisas.]

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