— Obrigada.
Carolina finalmente parou de insistir em recusar. Estava profundamente grata.
Henrique pegou o celular e olhou a hora. Já passava da meia-noite.
— Já está muito tarde. Vá dormir.
— Ok. — Ela respondeu baixinho.
Henrique então acrescentou, em tom tranquilo, quase como uma orientação:
— Lembre-se: nos primeiros três dias, não deixe as feridas entrarem em contato com água. A pomada antibiótica precisa ser aplicada duas vezes por dia, e o gel de fator de crescimento, três vezes. E evite comidas apimentadas ou muito fortes.
— Certo.
Ele continuou, com calma:
— Suspenda o trabalho por enquanto. Descanse por uns dois dias. Fique em casa e use roupas de algodão mais largas. Nas partes das costas onde você não consegue passar a pomada, eu arrumo um tempo para ajudar. Quando as feridas começarem a formar casca, não arranque nem coce. Se ficar insuportável, passe um pouco de pomada contra coceira.
Tudo o que a enfermeira havia dito…
Ele tinha memorizado palavra por palavra.
Por mais independente e segura que Carolina parecesse diante dos outros, sempre que estava diante de Henrique, aquela pequena parcela de maturidade simplesmente desmoronava.
Aos olhos dele, ela parecia continuar sendo aquela garota que precisava ser protegida.
E Henrique, como cinco anos atrás, acolhia todos os detalhes da vida dela sob suas asas, cuidando de tudo, das coisas grandes às pequenas.
Ele a mimava tanto que, quando estava ao lado dele, Carolina quase perdia a capacidade de lidar sozinha com as trivialidades da vida.
Carolina permaneceu ali em silêncio, ouvindo-o organizar tudo.
Obediente.
Com o coração aquecido por aquele cuidado.
Desde pequena, ela nunca tinha conhecido o carinho de uma mãe.
Seu pai era um homem prático, pouco atento aos detalhes, sempre viajando a trabalho. Era o tipo de amor paterno tradicional, contido e distante, preocupado, mas raramente presente.
Henrique…
Foi a única luz verdadeiramente quente que ela já sentiu em toda a sua vida.
O nariz de Carolina ardia levemente.
Uma pontada amarga subiu do fundo do peito, e as palavras ficaram presas na garganta, incapazes de sair.
Ela não respondeu.
Apenas assentiu com a cabeça.
Mas, no instante em que se virou para ir em direção ao quarto, sua visão de repente ficou turva.
Quanto mais caminhava, mais as lágrimas escapavam do controle, girando silenciosamente em seus olhos.
Algumas feridas do corpo…
Carolina ouviu tudo meio perdida entre o sono e a vigília.
Da garganta saiu apenas um murmúrio leve e preguiçoso:
— Uhum…
Henrique puxou suavemente o braço de Carolina para fora do cobertor. Seus dedos tocaram a pomada fria e começaram a espalhá-la sobre os cortes em seu braço e no pulso, alternando entre os diferentes medicamentos e aplicando cada um com cuidado.
As feridas ainda ardiam levemente.
Mas, sob os movimentos delicados dele, havia uma estranha sensação de conforto, quase sonolenta.
Depois de terminar de tratar os ferimentos em suas mãos, Henrique levantou o cobertor.
Sua voz, de repente, ficou um pouco mais rouca.
— Para passar o remédio nas costas, preciso levantar sua roupa. Você precisa tirar o sutiã?
Naquele instante, todo o sono de Carolina desapareceu.
Sua mente despertou completamente.
Ela continuou deitada de bruços, imóvel, mas o coração parecia ter sido subitamente ativado, batendo forte no peito. O corpo ficou tenso e quente, e seus dedos, sem perceber, apertaram devagar o lençol.
Sem conseguir ver os olhos de Henrique, ela escondeu no fundo do coração aquela súbita mistura de vergonha e constrangimento.
Então respondeu, fingindo tranquilidade:
— Não estou usando nada por baixo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...