Entrar Via

Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 105

Henrique ficou levemente surpreso.

Seu olhar caiu sobre as costas de Carolina enquanto ele soltava um suspiro quente e levantava devagar a parte de trás da camisola dela.

Na noite anterior, tinha sido a enfermeira quem limpara e tratara as feridas.

Era a primeira vez que ele realmente via os machucados nas costas dela.

Sua respiração travou.

O peito pareceu afundar.

As feridas não eram muito profundas nem grotescas, mas a pele estava vermelha, inchada e rasgada, com finos fios de sangue ainda surgindo.

Pareciam duas vinhas vermelhas se arrastando pela pele branca e delicada de suas costas, uma imagem dolorosamente marcante.

Como se, sobre um campo de neve pura, alguém tivesse passado duas rodas, deixando rastros vermelhos e agressivos.

Ela estava deitada de bruços na cama.

O corpo naturalmente cheio ganhava ainda mais curvas pressionado contra o colchão. Na pequena fenda formada ao lado da cintura, um vislumbre inesperado de pele aparecia.

Henrique desviou o olhar que começava a se aquecer.

Seu pomo de adão subiu e desceu.

Então ele puxou o cobertor e o acomodou cuidadosamente ao lado da cintura dela, cobrindo parte daquele cenário involuntariamente sedutor.

Carolina sentiu o ar frio tocar suas costas expostas.

Seu coração já estava tomado por vergonha e tensão, e aquele gesto dele só tornou a situação ainda mais embaraçosa.

Eles eram ex-namorados que se conheciam profundamente.

Às vezes, bastava um olhar ou um pequeno gesto para entender exatamente o que o outro estava pensando.

Por mais controlado e cavalheiro que Henrique fosse…

Ele ainda era um homem.

Carolina sentiu então um toque frio em sua pele.

A ponta dos dedos dele, coberta de pomada, espalhava o medicamento suavemente sobre as feridas, fazendo um arrepio percorrer seu corpo.

A dor leve das feridas se misturava à sensibilidade da pele.

Seu corpo ficou tenso.

Ela prendeu a respiração.

As mãos rígidas apertaram o lençol com força.

Naquele instante…

Um pensamento quase vergonhoso surgiu no fundo do seu coração.

Um desejo pequeno e silencioso, mas impossível de ignorar.

Ela se pegou desejando aquele cuidado de Henrique, mesmo que fosse apenas por mais um pouco de tempo.

Aquela atenção silenciosa e calorosa a fazia, por um instante, voltar aos dias em que era verdadeiramente amada por ele.

Essa ilusão a deixava frágil.

Quase à beira do choro.

O ar tranquilo do quarto parecia ter ficado mais quente. Carolina conseguia sentir, vagamente, a respiração pesada de Henrique atrás dela.

Conforme ele continuava aplicando a pomada, seus movimentos se tornavam cada vez mais rápidos, e a respiração dele parecia perder o ritmo.

De repente…

O toque nas costas dela parou.

De repente, Carolina se deparou com o perfil de Lívia.

A conta registrava o cotidiano dela como repórter de guerra em zonas de conflito.

Talvez fosse porque Henrique seguia Lívia e, como Carolina tinha alguma conexão com ele na plataforma, o algoritmo acabou recomendando aqueles vídeos.

Assistindo às publicações de Lívia, Carolina sentia duas emoções ao mesmo tempo.

Preocupação.

E admiração.

Preocupação com a segurança dela em meio à guerra.

E admiração por sua coragem, por enfrentar o perigo com tanta confiança.

Lívia, assim como os dois irmãos dela, era uma pessoa extraordinária.

O tempo passou sem que Carolina percebesse.

Quando deu por si, mais da metade do dia já havia se ido.

De repente, a campainha tocou.

Carolina olhou o horário, confusa, e depois voltou o olhar para a porta.

Aquela hora, Henrique ainda deveria estar trabalhando.

Além disso, ele tinha a digital cadastrada para abrir a porta. Nem precisaria tocar a campainha.

Então… Quem seria?

Ela calçou os chinelos e foi até a porta.

Na própria porta havia uma pequena tela conectada à câmera de segurança do lado de fora.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle