Se Alan não compreendia o desenrolar daquela situação, como Bárbara e Karina não saberiam?
Depois que Bárbara foi transferida para a mesma escola que Karina, tornou-se amiga de Alícia. Foi a partir daquele momento que Alícia começou a provocar Karina, de forma sutil ou escancarada.
Karina se recusava a acreditar que aquilo não fosse obra das intrigas plantadas por Bárbara nos bastidores.
Uma pena que ela não tivesse provas concretas, caso contrário, teria mandado as duas juntas para trás das grades.
Porém, levando em conta a doença de Bárbara, mesmo que houvesse provas, ela provavelmente conseguiria o direito a tratamento médico em liberdade.
Karina sentiu uma ponta de decepção.
— Alícia foi presa? Para onde a levaram? Tio, você me pediu a senha. Não me diga que foi porque Alícia esqueceu a senha e a Família Cabral estava ocupada demais para vir me visitar? — Bárbara, aturdida, olhou para Alan em busca de respostas.
— Por que a minha irmã está dizendo que Alícia está presa?
— Ah, então quer dizer que vocês ainda não contaram para a Bárbara? A sua querida amiga tentou me ameaçar e me difamar por sua causa, e agora está trancada numa cela de delegacia. — Karina soltou uma risada de escárnio, recostando-se na cadeira com um ar lânguido.
— Tio, isso não é verdade, não é? A minha irmã está mentindo, certo? — O rosto de Bárbara perdeu a cor rapidamente, enquanto seus dedos se agarravam à beirada da camisa de Alan.
— Bárbara... Não precisa se preocupar, eu já estou resolvendo o problema da Alícia. — Alan apressou-se em confortá-la.
Alan também estava desesperado com Alícia encarcerada.
Mas, para tirá-la de lá, ainda era necessário seguir os trâmites legais.
O advogado já havia enviado quase toda a documentação, e bastava a aprovação para que Alícia conquistasse a sua liberdade.
— Então... Tudo isso realmente aconteceu por minha causa?
— O que está acontecendo aqui? Você a está oprimindo outra vez? — Félix terminou de assistir aos vídeos, abriu a porta do camarote e franziu a testa ao deparar-se com Bárbara visivelmente desolada.
Com apenas duas palavras, ele já havia jogado toda a culpa nas costas de Karina.
Karina achou a situação tão patética que nem sequer se deu ao trabalho de tentar se justificar.
Ele assistira ao vídeo. Karina trabalhava ao lado dele desde os vinte anos; Félix jamais confundiria a voz dela.
A voz no vídeo pertencia inequivocamente a Karina.
Era assustador pensar que ela realmente havia praticado bullying contra alguém.

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