O secretário assentiu: — Certo, vou providenciar isso imediatamente.
Clarice não esperava que Dimas viesse vê-la.
Ao vê-lo, um clarão de ódio passou pelos seus olhos.
— O que você veio fazer aqui?!
Dimas colocou as duas mãos sobre a mesa, com uma postura elegante: — Clarice, quando você teve problemas daquela vez e eu não te ajudei, você ficou com muito ódio de mim, não é?
Clarice deu um sorriso frio: — E eu não deveria te odiar?
Se não fosse por Dimas, ela não teria desejado herdar o Grupo Alves, nem teria envenenado a Dona Alves, acabando no fim das contas presa na cadeia.
— Na verdade, você não tem motivos para me odiar. Eu já havia dito antes, contanto que você herdasse o Grupo Alves, eu me casaria com você. Foi você mesma quem não cumpriu com as minhas exigências. Os meus pais não permitiriam que eu me casasse com uma mulher que não fosse de nenhuma ajuda para a minha carreira.
Ele tinha um sorriso nos lábios, mas as palavras que dizia faziam o coração de Clarice gelar repetidas vezes.
— Dimas, não precisa dizer essas baboseiras para me enrolar. Não tem nada a ver com os seus pais. Você nunca teve a intenção de se casar comigo desde o início. Você só queria me usar para colocar as mãos no Grupo Alves e nada mais!
Durante o tempo no centro de detenção, ela também conseguiu pensar com clareza. Ela era apenas a filha adotiva da Família Alves e era absolutamente impossível que herdasse o Grupo Alves.
Dimas ter dito a ela que se casaria com ela caso herdasse o Grupo Alves era apenas uma desculpa esfarrapada para mantê-la iludida.
E ela, sendo burra demais, não conseguiu perceber isso, e acabou sendo feita de marionete por Dimas!
Dimas ergueu as sobrancelhas e deu um sorriso: — Clarice, eu admito que, no começo, eu realmente tive a intenção de te usar. Mas, depois, eu acabei desenvolvendo um certo afeto por você. Se você realmente tivesse herdado o Grupo Alves, eu teria cumprido a minha promessa e me casado com você. É uma pena...
Clarice fez uma expressão de escárnio: — Não precisa mais atuar. Diga logo, qual é o seu objetivo vindo aqui hoje?
Ao ouvir isso, o sorriso no rosto de Dimas desapareceu gradualmente. Ele se encostou na cadeira, olhando para Clarice, e o seu olhar tornou-se afiado.
Ela respirou fundo e, olhando para ele, disse lentamente: — Dimas, eu não entendo do que você está falando. Eu estou trancada num centro de detenção agora. Você acha que eu ainda tenho alguma capacidade para ir contra você?
Dimas balançou a cabeça e se levantou, dizendo: — Clarice, eu te dei uma escolha. É uma pena que você tenha escolhido a resposta errada.
O rosto de Clarice mudou de cor. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Dimas já tinha se virado e caminhava em direção à porta.
No exato momento em que ele estava prestes a sair da sua linha de visão, Clarice de repente aumentou o tom de voz e perguntou: — Dimas, nesses últimos anos, você teve pelo menos um pingo de sinceridade por mim?!
Os passos de Dimas hesitaram por um instante, mas ele não olhou para trás e nem respondeu à sua pergunta.
Se havia sinceridade ou não, já não importava mais.
Já que ela escolheu traí-lo, ela teria que arcar com as consequências.

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