Fausta sempre carregara a amargura do fato de Ibsen ser um filho ilegítimo, ansiando que a Família Serpa o reconhecesse formalmente.
Anteriormente, como Ibsen não oferecia utilidade alguma à Família Serpa e enfrentava a oposição de Fernanda, Eduardo jamais admitira publicamente a paternidade. A situação sempre fora um segredo que todos conheciam, mas ninguém comentava.
Agora que a Voyage Technology abrira seu capital no mercado de ações, Fernanda tencionava tomar a empresa para entregá-la a seu próprio filho, Dimas. Por essa razão, ela naturalmente flexibilizara sua postura.
Um brilho de incredulidade passou pelos olhos de Fausta, seguido por um riso sarcástico:
— E desde quando você tem um coração tão nobre?
Um sorriso pairou nos lábios de Fernanda:
— Afinal, Dimas é meu único filho, e Ibsen não deixa de ser o meio-irmão dele. Ao trazê-lo de volta à família, os dois poderão apoiar um ao outro no futuro.
Fausta não acreditou em uma única palavra daquele discurso.
— Você sabe muito bem no seu íntimo se isso é para haver apoio mútuo, ou se o verdadeiro alvo é a empresa de Ibsen!
— Que o seu filho fosse reconhecido pela Família Serpa não era o que você sempre desejou? Por que, agora que estou de acordo, você de repente suspeita das minhas intenções?
Fausta a encarou, com o rosto impassível:
— Você jamais faria algo que prejudicasse os outros sem que houvesse vantagem para si mesma. Receio que já tenha planejado meticulosamente como usar o meu filho antes mesmo de concordar com o reconhecimento dele pela Família Serpa.
O sorriso de Fernanda manteve-se inalterado:
— Pense o que quiser. Se você não quer que ele seja reconhecido pela Família Serpa, não há problema. Porém, saiba que, no futuro, ele não terá direito a absolutamente nada do Grupo Serpa.
Após as palavras de Fernanda, um silêncio pesado tomou conta da sala de estar.
Após um longo momento, Fausta finalmente se pronunciou:
— Mesmo que ele seja reconhecido pela Família Serpa, Eduardo não lhe dará um único centavo. Além disso, agora ele mesmo administra uma empresa de capital aberto e ninguém mais ousará menosprezá-lo abertamente. Se a Família Serpa o reconhece ou não, já deixou de me importar.
Fernanda ergueu as sobrancelhas, com os olhos transbordando zombaria:
Todos se viraram e viram Ibsen, com um sorriso de canto nos lábios, mas sem o menor vestígio de calor no olhar.
Atrás dele, Eduardo exibia um semblante sombrio, evidenciando que a conversa no escritório fora extremamente desagradável.
O rosto de Fernanda mudou de cor:
— Quem estaria cobiçando a sua empresa? O seu pai considerou que os negócios não estão fáceis hoje em dia e, por pura bondade, sugeriu a integração da Voyage Technology ao Grupo Serpa. Não imaginávamos que você veria isso como má intenção.
Dizendo isso, ela se voltou para Eduardo, com um tom afiado de sarcasmo:
— Eu já havia lhe dito para não se intrometer. Agora, o seu esforço é visto como uma tentativa de usurpar a empresa dele. É o que acontece quando se tenta ajudar quem não sabe ser grato.
— Belas palavras, senhora Serpa. Mas conhecem o ditado de que raposa que se finge de mansa só quer comer as galinhas? A máscara que vocês vestem agora é exatamente igual.
— Ibsen! — Bradou Eduardo, incapaz de tolerar mais aquilo. — Você não tem educação alguma?! Ela é minha esposa e sua mãe perante a lei!

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