— Esperaremos até que o mordomo tenha algum resultado.
Francisco não disse mais nada, sentando-se no quarto do hospital para aguardar as notícias do mordomo.
Mais de uma hora depois, o mordomo telefonou.
— Velha senhora, a pessoa que envenenou a sua comida foi encontrada. Foi a Isabella.
Isabella trabalhava na Família Leite havia mais de dez anos, sendo considerada uma funcionária antiga.
Dona Leite respirou fundo:
— Ela disse quem a instruiu a fazer isso?
O mordomo fez uma pausa em silêncio:
— Ela disse... que foi o Sr. César quem mandou...
— Ela tem alguma prova?
Mesmo naquele momento, Dona Leite ainda não queria perder as esperanças.
— O Sr. César enviou mensagens para ela. Embora ela as tenha apagado, é possível pedir à operadora que recupere os dados.
— Entendi. Leve-a para a delegacia e mande-a repetir para a polícia tudo o que disse a você.
Ao ouvir isso, o mordomo hesitou:
— Velha senhora, a senhora tem certeza de que devemos fazer isso? Uma vez feito, o lado do Sr. César...
— Sim, faça o que eu mandei.
Ao desligar o telefone, Dona Leite sentiu apenas um frio no coração.
César não só queria matar Lucas, como também queria matá-la.
Aos olhos dele, uma simples empresa era mais importante do que a vida de seus próprios parentes.
— Avó, não fique tão triste.
Dona Leite olhou para ele:
— Quero ficar sozinha por um tempo, pode voltar ao trabalho.
Um misto de culpa e incredulidade brilhou nos olhos de César:
— Eu... isso não tem nada a ver comigo, não sei do que vocês estão falando...
— Por favor, venha conosco.
Sentado na cadeira de rodas, César não tinha capacidade alguma de resistir e foi levado diretamente pelos dois policiais.
Ao chegar à delegacia, ele se recusou a falar, exigindo ver o seu advogado.
Porém, após esperar por mais de uma hora, quem apareceu não foi o seu advogado, e sim Francisco.
Ao vê-lo, o rosto de César ficou pálido de raiva e ele esbravejou:
— Francisco, foi você quem armou isso por trás?! Eu te aviso, quando eu sair daqui, definitivamente não vou te perdoar!
Sua expressão estava distorcida, e os olhos que encaravam Francisco transbordavam repulsa e ódio. Não parecia de forma alguma que olhava para o próprio filho, mas sim para um inimigo mortal.
Francisco, por sua vez, não se importou e sentou-se diretamente de frente para ele:
— A avó já sabe que você instruiu a empregada a envenená-la. Você nunca mais poderá herdar o Grupo Leite nesta vida.

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