O corpo de Regina estremeceu de repente, e as lágrimas caíram silenciosamente.
Ela fechou os olhos e, quando os abriu novamente, sua expressão já se tornara firme:
— Eu entendi, ficamos assim.
Após desligar o telefone, Regina encostou-se na parede, cobriu o rosto com as mãos e chorou em silêncio.
Após um tempo indeterminado, ela finalmente enxugou as lágrimas e deixou o vão da escada.
Quando Débora chegou à mansão, o mordomo estava relatando a Dona Leite sobre a investigação que seus subordinados haviam feito sobre Severino.
— Senhora, já averiguamos tudo. Desde que Severino foi à falência, ele trabalhava como segurança em uma empresa. Normalmente, além de seguir o Sr. César, sua rotina se resumia a ir de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Ultimamente, ele não entrou em contato com ninguém e não houve grandes transferências em sua conta bancária. Dizem que, quando a polícia encontrou o Sr. César, Severino estava prestes a matá-lo e foi abatido no local pelos policiais.
Dona Leite franziu as sobrancelhas. Teria sido mesmo uma coincidência? Severino encontrara a oportunidade perfeita para sequestrar César?
Enquanto ela estava imersa em seus pensamentos, ouviu-se o som de passos.
Dona Leite ergueu a cabeça em direção ao saguão e seu olhar se encontrou com o de Débora.
— Mãe, para que a senhora me chamou?
Enquanto falava, ela caminhou em direção à sala de estar e logo se sentou de frente para Dona Leite.
— Você já sabe sobre o sequestro de César, não é?
Débora assentiu com a cabeça:
— Sim, eu sei. O que tem isso?
— E sabendo disso, não vai ao hospital visitá-lo? Ele é o seu marido.
Ao ouvir isso, Débora deu um leve sorriso e ergueu o olhar para Dona Leite:
— Mãe, a senhora deve saber que ele já tem outra família lá fora. Nós não nos vemos há muito tempo. Mesmo que alguém devesse se preocupar, não seria o meu papel.
Quando César começou a sustentar Regina como sua amante, Débora havia brigado com ele. No entanto, após anos de discussões, ele ainda se recusava a afastar Regina.
— Se a senhora realmente quisesse o meu bem, não teria feito vista grossa para o fato de César manter Regina como amante todos esses anos. Agora que a senhora não quer o neto que está na barriga de Regina, quer me usar para acabar com ela? Sinto muito, mas eu não sou tão idiota.
Além disso, com as pernas esmagadas, era impossível que César herdasse o Grupo Leite, o que significava que os planos de Regina provavelmente também iriam por água abaixo.
Vendo que Débora estava irredutível, a expressão de Dona Leite também esfriou.
— Como queira. De qualquer forma, eu já deixei as coisas bem claras. Se você não quer lutar pelo futuro de Francisco, não há nada que eu possa fazer.
Débora riu suavemente:
— A senhora também não precisa usar Francisco para me chantagear. O dinheiro que eu tenho é suficiente para garantir que ele viva confortavelmente pelo resto da vida. Além disso, ele nunca pensou em herdar a empresa. Se não houver mais nada, eu vou indo.
Dito isso, Débora levantou-se diretamente e partiu.
Observando-a se afastar, Dona Leite franziu a testa e não pôde deixar de dizer:
— Tem certeza de que não vai se arrepender?

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