— Porque ele não ousaria me sequestrar, e você é muito importante para mim.
Ao notar o silêncio dela, Lucas abaixou o olhar, apertou-lhe a mão e disse em voz baixa:
— Inês, me perdoe. Se não fosse por mim, você não teria sofrido esse desastre injustificado.
Bastou pensar que quase a perdera para que Lucas sentisse seu coração ser esmagado por uma mão gigante, a ponto de mal conseguir respirar.
Ao ver a culpa e a tristeza estampadas no rosto dele, Inês sentiu uma pontada de pena:
— Lucas, a culpa não é sua. Você não precisa se desculpar por isso. Quem deve pedir desculpas é o seu irmão.
— Inês, eu também devo me desculpar com você, pois eu não posso chamar a polícia e mandá-lo para a delegacia. A única coisa que posso fazer agora é obrigá-lo a vir até aqui pedir perdão a você.
Ao escutar aquilo, Inês franziu o cenho, mas rapidamente compreendeu a situação.
A Família Leite da Cidade do Mar era um império entre os impérios; a Família Alves não tinha a menor condição de bater de frente com eles.
Se ela insistisse em buscar justiça, quem acabaria sofrendo as consequências no final seria a Família Alves.
Mas será que, só porque a Família Alves não se equiparava à Família Leite, ela teria de engolir a seco, e a pessoa que a mandou sequestrar se safaria com um mero e superficial pedido de desculpas?
Se ela não tivesse arrumado um jeito de fugir, talvez já estivesse morta àquela altura.
Inês puxou a mão da dele, e sua expressão tornou-se um tanto gélida:
— E você? A Família Leite só planeja se desculpar, e o que você acha disso?
Confrontado com o olhar distante dela, o coração de Lucas deu um salto de dor. Suas mãos fecharam-se devagar e, após um longo silêncio, ele murmurou:
— Inês, eu sei que você não está conformada, mas neste momento, isso é a única coisa que eu consigo fazer.
— Eu já entendi. Quero ficar um pouco sozinha, por favor, saia.
Se desta vez tudo fosse resolvido com um simples pedido de desculpas, e se houvesse uma próxima vez? Ela não acreditava ter sorte o bastante para escapar de todas as artimanhas do inimigo.
Enquanto Lucas fizesse parte da Família Leite e tivesse chances de herdar o Grupo Leite, seu irmão mais velho nunca desistiria de atacá-lo.
Como ele não tinha coragem de agir diretamente contra Lucas, ela havia se tornado o alvo dessa disputa.
Se Lucas pudesse protegê-la, ela ainda teria coragem de ficar ao seu lado incondicionalmente.
O olhar de Lucas parou na lancheira que Benícia segurava, e ele murmurou:
— A Inês não quer me ver agora. Você veio trazer comida para ela?
— Sim.
Ao notar que a expressão de Lucas estava um pouco abatida, Benícia supôs que tivesse ocorrido algum desentendimento entre os dois.
Contudo, ela preferia não se intrometer nos assuntos amorosos deles.
— Então eu vou entrar. A Inês já deve estar com fome.
— Tudo bem.
Benícia empurrou a porta e entrou no quarto. Ao ver Inês recostada na cama, ainda com a fisionomia pálida, sentiu um inevitável aperto no peito.
Apressou-se em sentar à beira da cama, apoiou a lancheira e perguntou a Inês:
— Está com fome? Eu trouxe a sua comida favorita. A propósito, o que aconteceu entre você e o Lucas? Por que ele está parado lá fora?

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