O homem caminhou até Inês, observando-a de cima a baixo.
— Por que ela ainda não acordou? Será que está fingindo?
Mesmo sem abrir os olhos, Inês percebia o olhar do homem sobre si, como espinhos nas costas.
Uma onda de pânico a invadiu. Em sua mente, ela pensava incessantemente em como escapar e em quem a havia sequestrado.
Recentemente, ela havia ofendido muitas pessoas, mas não parecia que nenhum deles a ponto de precisarem mandar sequestrá-la.
Após encarar Inês por um momento e não notar nada de errado, o homem soltou um riso frio e virou-se, saindo do quarto.
Só quando o som dos passos se distanciou, Inês abriu os olhos lentamente e começou a olhar ao redor, procurando uma maneira de escapar...
Cidade do Mar, no caramanchão do jardim da Família Leite.
César acabara de guardar o celular quando virou-se e viu Francisco parado não muito longe, observando-o.
Seu coração afundou, sem saber se Francisco havia escutado o que ele tinha dito há pouco.
— O que você está fazendo parado aí?! Nem fez barulho. Se eu tivesse um coração fraco, poderia ter morrido de susto.
Francisco ignorou o comentário, com um olhar gélido:
— Com quem você estava falando no telefone agora há pouco?
César sentiu-se culpado por um instante, mas logo pensou que não tinha obrigação de dar explicações a ele.
— O que importa com quem eu estava falando?! Você só me traz aborrecimentos logo que chega em casa. Se não tem nada para fazer, volte para a Capital!
Antes, ele contava com Francisco, afinal, ele era seu único filho agora. Mas... daqui a nove meses, as coisas poderiam mudar.
Os lábios de Francisco curvaram-se em um sorriso de escárnio, e ele o fitou com olhos penetrantes:
— Quem você mandou sequestrar?
Sua expressão era de certeza, era óbvio que ele havia escutado tudo o que César dissera.
O rosto de César obscureceu, e ele olhou furioso para Francisco:
— Não é da sua conta!
Após dizer isso, ele passou por Francisco com a intenção de ir embora.
Ao sair da sala de estar, esbarrou em Francisco.
Vendo-o tão apressado, com uma expressão tão sombria que parecia prestes a explodir, Francisco sentiu um aperto no peito.
— Tio, para onde você vai?
— Voltar para a Capital.
Francisco arregalou os olhos, incrédulo, e disse rapidamente:
— Por que você quer voltar para a Capital tão de repente? Não acabou de chegar?
— Inês foi sequestrada.
Ele não queria perder tempo com Francisco, deixou essa frase de forma fria e passou direto por ele.
A palavra "sequestrada" ecoou nos ouvidos de Francisco. Ele estremeceu bruscamente e levou vários segundos para processar.
Quando quis correr atrás dele, a figura de Lucas já havia desaparecido do seu campo de visão.
Francisco baixou os olhos, respirou fundo e virou-se, caminhando a passos rápidos na direção oposta.

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