As mãos de Mayra, ao lado do corpo, cerraram-se lentamente e, após um momento, relaxaram.
— Sim, é verdade que eu agi de forma sutil para atrair a sua atenção, mas você também não resistiu à tentação e ficou comigo, não foi? Você não acha que, se eu abortar o bebê, a Inês voltará para você, acha?
Ibsen levantou os olhos para encará-la, aquele olhar fez o coração de Mayra estremecer, e ela instintivamente recuou dois passos.
Ainda que Ibsen estivesse sentado e ela de pé, a aura densa e gelada que emanava dele fez com que Mayra se sentisse inferiorizada.
A razão que ela havia perdido por causa da raiva retornou gradualmente, e uma onda de pavor tomou conta de seu coração.
Ibsen a fitou friamente:
— Você tem razão. Eu cometi um erro e Inês jamais me perdoará novamente, portanto, não devo permitir que esse erro continue se prolongando.
Antes, ele refletia sobre o quão difícil fora a sua própria infância, crescendo sem um pai por perto. Contudo, parando para pensar agora, se a criança tivesse pais que se odiavam profundamente, seria melhor que nem mesmo viesse ao mundo.
A expressão de Mayra mudou e ela, por instinto, protegeu a barriga:
— Ibsen, eu não permitirei que você faça nada contra este bebê. Não se esqueça de que eu sou a mãe e você não tem o direito de decidir sozinho sobre o destino dele.
Naquele momento, Mayra se arrependeu amargamente de ter procurado Ibsen naquele dia.
Se ela ao menos tivesse conseguido manter a calma, Ibsen não teria cogitado a ideia de fazê-la abortar a criança.
Esse bebê era a sua única carta na manga para permanecer ao lado de Ibsen. Se ela o perdesse, ele com certeza nunca mais olharia na sua cara.
Ibsen não tinha a menor intenção de prolongar aquela discussão inútil com ela. Ele imediatamente chamou Bruno para dentro do escritório:
— Entre em contato com o Hospital Principal e veja se eles...
— Não! Eu não permito! — Mayra gritou, interrompendo as palavras de Ibsen. — Ibsen, se você ousar me forçar a fazer um aborto, eu me jogarei do terraço da Voyage Technology!
Os olhos de Ibsen se estreitaram, enquanto seus longos dedos batiam ritmicamente sobre a mesa, exibindo uma expressão inabalável.
— Você está me ameaçando?
— Pode sair primeiro.
Sem questionar se ainda precisava ou não contatar o Hospital Principal, Bruno saiu apressadamente do escritório.
Mayra cerrou os punhos e falou entre dentes:
— Ibsen, é impossível que eu aborte este bebê, então desista dessa ideia o quanto antes! Ou a criança nasce, ou perderá duas vidas de uma só vez. A escolha é sua!
Aquela criança representava a sua única esperança de se tornar uma esposa da alta sociedade, ela jamais desistiria.
Ibsen soltou um riso leve, encostou-se na cadeira, estreitou os olhos e comentou:
— Mayra, até onde eu sei, sua mãe e seu irmão vieram para a Capital. Eles devem ter lhe extorquido uma boa quantia em dinheiro, não é?
O rosto de Mayra empalideceu, e ela não disse uma palavra.
Era fato que a sua mãe, Karina, e o seu irmão, Pedro, haviam chegado à Capital, e ela, de fato, entregara-lhes bastante dinheiro recentemente.

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