Dona Leite riu com escárnio várias vezes:
— Ótimo! Perfeito! Muito bem! Agora você não tem o menor respeito nem por mim!
No passado, quando Lucas saiu de casa, ela acreditara que era apenas um impulso de rebeldia e que, assim que esfriasse a cabeça, voltaria para a Cidade do Mar.
Porém, após cinco anos esperando na Cidade do Mar, Lucas não havia demonstrado qualquer intenção de retornar.
Foi só quando ouviu Ursula dizer que ele conhecera uma mulher na Capital e pretendia ficar com ela, que não conseguiu mais se conter e viajou até lá.
Ela imaginava que, após cinco anos do incidente, a atitude de Lucas em relação a ela teria amolecido. No entanto, agora percebia que ele ainda guardava rancor.
Ao notar a decepção estampada no rosto de Dona Leite, o olhar de Lucas oscilou brevemente, mas logo retornou à frieza de sempre.
— Nunca lhe faltei com respeito, apenas não gosto que outras pessoas se intrometam na minha vida.
Dona Leite sentiu um calafrio percorrer seu coração:
— Aos seus olhos, eu sou apenas outra pessoa?
Ele era o filho que ela dera à luz arriscando a própria vida, o mais mimado e amado por todos esses anos, e agora ele se referia a ela como se fosse uma estranha?!
Lucas franziu a testa e permaneceu em silêncio.
Essa atitude, contudo, soou para Dona Leite como uma confirmação velada.
— Está bem... Eu não deveria ter vindo à Capital procurá-lo. Pensei que, após cinco anos, você teria amadurecido um pouco. Mas, pelo visto, continua exatamente igual, sem ter mudado em absolutamente nada!
Ouvindo isso, a feição de Lucas tornou-se instantaneamente gélida:
— E a senhora também continua exatamente igual a cinco anos atrás: autoritária, arbitrária e incapaz de escutar o que os outros dizem.
Com as palavras de Lucas, um silêncio absoluto tomou conta da sala de estar.
Dona Leite olhou para Lucas e recuou dois passos, incrédula, quase perdendo o equilíbrio.
— Ah, então é isso! Você ainda me culpa. Para você, uma estranha é mais importante do que a sua própria família! Lucas, você realmente me enche de desgosto!
Lucas manteve o rosto inexpressivo:
— Desde o dia em que deixei a Família Leite, não faço mais parte dela.
— Certo, não se arrependa depois!
— Venha buscar a sua avó no Residencial Aurora Dourada e aproveite para convencê-la a ir embora da Capital.
Do outro lado da linha, Francisco, que acabara de sair do trabalho, respondeu prontamente:
— Está bem, entendi, estou indo para aí. Mas... tio, o que realmente aconteceu entre o senhor e a vovó? Antigamente, ela o mimava mais do que a qualquer um, por que de repente se desentenderam?
A única resposta que obteve foi o som de chamada encerrada.
Francisco: ...
Ele não retornou a ligação para o tio. Em vez disso, discou para Dona Leite.
Demorou bastante até que ela atendesse:
— O que foi?
— Vovó, o tio acabou de me ligar e disse que a senhora está no Residencial Aurora Dourada. Estou indo buscá-la.
Houve uma breve pausa do outro lado da linha, antes de Dona Leite bufar friamente:
— Ele quase me matou de raiva e agora está se fingindo de bom moço. Não precisa vir, o motorista vai me levar de volta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Almas Gêmeas? Não no Meu Casamento!