Inês manteve uma expressão indiferente:
— Não tenho tempo.
O rosto de Afonso assumiu um tom sombrio:
— Inês, sua mãe realmente foi injusta com você no passado e cometeu muitos erros, mas ela já reconheceu suas falhas e quer compensá-la...
— Você parece ter esquecido de um detalhe. — Interrompeu Inês, sem demonstrar a menor emoção. — Eu só vim trabalhar na empresa a pedido da minha avó. Não tenho a menor intenção de reparar os laços familiares com você ou com a Bianca. É impossível que eu os perdoe, então espero que parem de fazer coisas inúteis.
Antes que Afonso pudesse dizer mais alguma coisa, Inês virou-se e foi embora.
No fim da tarde, enquanto Inês guardava suas coisas para ir embora, Bianca apareceu.
Ela carregava uma lancheira térmica, aproximou-se de Inês e falou com cautela:
— Inês, ouvi dizer que você não quis ir jantar em casa, então preparei a comida e trouxe para você. É só levar e esquentar no micro-ondas.
Diante do gesto amigável de Bianca, Inês não teve a menor reação, simplesmente a tratando como se fosse invisível.
A mão de Bianca que segurava a lancheira se apertou subitamente. Passaram-se vários segundos até que ela relaxasse o braço lentamente, virando-se para entrar no escritório de Afonso.
Vendo que Bianca estava pálida, Afonso comentou com frieza:
— Eu já tinha avisado para você não vir aqui se humilhar, mas e aí? Não aconteceu exatamente o que eu disse?
Bianca colocou a lancheira sobre a mesa e desabou no sofá:
— O que eu devo fazer para compensar todos os erros que cometi ao longo destes anos?
Ela estava genuinamente arrependida. Se tivesse tratado Inês bem quando ela retornou à Família Alves, a situação entre eles não teria chegado a esse ponto.
Infelizmente... não se pode mudar o passado...
Afonso a encarou por um momento:
— Esqueça isso, ela jamais nos perdoará. Ela deixou isso bem claro antes de sair agora pouco.
Bianca abaixou a cabeça:
— A culpa é toda minha...
Inês a observou:
— Dona Leite, não quer entrar e esperar sentada na minha casa?
— Guarde sua falsa bondade!
Inês ergueu as sobrancelhas:
— Não é bondade, só estou pensando que, na sua idade, se ficar muito tempo de pé e acabar desmaiando na minha porta, terei que chamar uma ambulância para a senhora.
— Não se intrometa!
Vendo a impaciência no rosto de Dona Leite, Inês não insistiu, afinal, ela nunca foi o tipo de pessoa que bajulava os outros ou se rebaixava à toa.
Ela deixou a porta entreaberta e voltou para a cozinha para continuar fazendo o jantar.
Logo, o aroma delicioso da comida começou a escapar pela fresta da porta.
Desde que chegara à Capital, Dona Leite não havia se acostumado com a comida local e mal havia comido nos últimos dois dias.

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