— Fico... feliz.
— Como eu disse, não quero impor limites a você. Quero ajudá-la a transpor cada um deles.
— Com... tarefas importantes? — perguntei, fingindo que não tinha percebido o outro sentido de suas palavras.
— Também.
Abaixei a cabeça.
— Quer saber a que estou me referindo além do trabalho, Jack?
— Não — respondi rapidamente, sem me atrever a olhar em seus olhos.
— Relaxe, Jack. Você... é sempre tensa desse jeito?
Sim, eu sou. Mas, com você, acho que fico ainda mais tensa.
— Eu não quero ser abusada... — Finalmente o encarei.
— Também não quero que você seja abusada, e sim lambuzada. — Ele sorriu.
— O... quê? — perguntei, sem ter certeza de que havia escutado corretamente.
Ele arqueou uma sobrancelha, fingindo inocência:
— Eu disse que também não quero que você seja abusada. Estávamos falando sobre você ser atrevida, não estávamos?
— Sim...
Não estávamos. Mas eu não tive coragem de confrontá-lo.
— Gostaria de deixar uma coisa bem clara para você, Jack.
Mais? Já não estava tudo claro o suficiente?
— Se você ficar aqui... e não me entenda mal, porque eu realmente quero que fique. Sei que esta será uma experiência incrível para você e que aprenderá muito, principalmente agora que decidiu estudar para se tornar ainda mais eficiente...
— Se eu ficar... — interrompi, tentando encurtar a conversa para que ele chegasse logo ao ponto.
— Se ficar, eu vou flertar com você.
— O... quê?
Eu não sabia se aquele homem realmente existia ou se era apenas uma criação da minha cabeça. Talvez tivesse morrido na consulta e tudo aquilo fosse uma espécie de delírio antes de chegar ao inferno.
— Vou flertar com você — ele repetiu tranquilamente. — Não apenas hoje ou quando estivermos fora da empresa. Vou fazer isso quando entrar nesta sala, quando encontrar você na recepção e sempre que olhar para sua boca e me lembrar daquela noite.
Minha boca se entreabriu, mas nenhuma palavra saiu.
— Também direi quando estiver bonita, quando alguma coisa em você chamar minha atenção e quando eu sentir vontade de beijá-la.
— Adriel...
— Você ainda não me conhece muito bem, e eu também não conheço você. Mas acho que já ficou claro que gosto de você.
— Gosta?
Eu nem queria fazer aquela pergunta. Mas fiz.
— Gosto. Aliás, gostei desde o primeiro momento. Naquela noite, sonhei com seu beijo... e com sua pele macia sob meus dedos.
Levei a mão ao peito de maneira involuntária.

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