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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 87

Ou finalmente viver tudo o que nunca me permiti experimentar. No entanto, fazer coisas que jamais tive coragem de fazer exigiria um esforço enorme. Afinal, passei vinte e cinco anos abrindo mão dos meus próprios desejos e vivendo para satisfazer as necessidades de todos, menos as minhas.

Escolhi a segunda opção. Mas não sabia o quão difícil seria. Não era como girar a chave da porta e deixar a antiga Jack de fora. Porque entendi que a Jack do passado, do presente e do breve futuro se fundiam numa única pessoa.

Gabriela não me recebeu mal. Tampouco bem. Eu não esperava que ela fosse minha amiga ou algo do tipo. Mas foi estritamente profissional. E, algumas perguntas que eu fazia, ela fingia que não ouvia para não precisar responder.

Ser uma secretária executiva era algo extremamente difícil e complexo. E ela, além da formação acadêmica, tinha a experiência... o que me fazia sentir-me uma inútil.

Mesmo que eu tivesse apenas um ou dois meses... voltaria a estudar. Aquilo já estava decidido. O item seis da minha lista dizia: “Arranjar um emprego e ser útil”. Se eu realmente pretendia riscar todos os itens, precisava fazer aquilo direito.

Conseguir um emprego e continuar me sentindo inútil não mudaria absolutamente nada. Durante tempo demais, fui apenas um objeto esquecido numa vitrine: estava sempre ali, disponível para todos, mas sem qualquer propósito além daquele que decidiram para mim. E eu não queria continuar sendo assim.

Enquanto organizava uma lista de convidados para um evento da A.A. Noire, aprendendo a realizar aquela tarefa diretamente pelo celular, Adriel entrou. Ergui os olhos discretamente e encontrei os dele. Um frio surgiu em minha barriga e percorreu todo o meu corpo. Minhas mãos ficaram levemente trêmulas, e eu as apoiei sobre a mesa para que ninguém percebesse.

— Boa tarde — ele disse, permanecendo parado diante da recepção, sem entrar em sua sala.

— Boa tarde, senhor...

Aquela história de “senhor Andrade” e “Adriel” se aplicava a quais situações mesmo?

Eu nem sequer ouvi o que Gabriela explicou. Se tivesse prestado atenção, talvez soubesse como chamá-lo corretamente.

— Jaqueline, na minha sala! — ordenou com seriedade antes de finalmente caminhar em direção à porta.

Olhei para Gabriela. Ela sorriu e sussurrou:

— É por causa de pessoas como você que existem esses boatos populares de que todas as secretárias dormem com os chefes.

Mantive os olhos fixos nos dela, tentando entender. Ou tentando fingir que não havia entendido. Gabriela, porém, não estava disposta a deixar qualquer dúvida e foi ainda mais clara:

— Eu não precisei passar primeiro pela cama dele para conseguir este emprego. Só fui parar nela depois disso.

Nem sei como consegui chegar à sala de Adriel. O que importava era que, de algum modo, minhas pernas me levaram até lá.

Adriel fez um sinal para que eu me sentasse na cadeira e assim fiz.

Se eu poderia dizer que Gabriela me ofendeu? Sim, poderia. Se ela tinha razão? De certa forma, também tinha. Eu não estava ali por competência. Estava porque permiti que o CEO me tocasse de uma maneira, digamos... bastante íntima.

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