POV Jaqueline
Natália me buscou na A.A. Noire e fomos juntas para o local onde aconteceria a audiência.
Enquanto ela dirigia, perguntei:
— Você acha que eu sou capaz de fazer isso?
— Isso o quê? — Ela me olhou de relance, sem deixar de prestar atenção ao trânsito.
— Isso de dirigir.
— É muito fácil. Você vai tirar de letra.
— Uma pena que... não poderei dirigir por muito tempo.
— Jaqueline, o que acha de não falarmos mais sobre o seu diagnóstico? O que acha de fazer tudo o que está na sua lista sem ficar pensando se morrerá amanhã, depois, dentro de um mês ou daqui a um ano?
Talvez ela tivesse razão. Eu já havia me lamentado demais durante toda a vida. Eu me culpei, me puni e carreguei pesos que nunca deveriam ter sido meus. Agora, era hora de tentar me perdoar.
— O médico disse um ano, no máximo — falei. — Mas isso não significa que acontecerá exatamente dentro desse prazo. — Ri, sem humor. — Porém, se eu puder escolher, prefiro que seja um ataque fulminante. Não quero ficar presa a uma cama de hospital. Não quero ver o sofrimento dos meus filhos... entende?
— Entendo.
— E prometo que não voltarei a falar sobre quanto tempo me resta... juro. Também não vou mais me lamentar. Viverei cada dia como se fosse o último.
— E eu estarei ao seu lado.
— Eu sei disso.
— E... não abriremos mão da guarda permanente. É isso mesmo?
— Você viu tudo o que aconteceu, Natália. E espero que não me entenda mal... porque isso não tem nada a ver com ciúme de Oliver. Eu não sinto ciúme de Oliver. Já aceitei há muito tempo que ele e Brianna se amam. Mas não posso permitir que meus filhos fiquem perto daquela mulher. Ela pode enganar todo mundo ao redor, e eu não me importo com isso. O que não vou permitir é que Brianna maltrate os meus filhos.
— Você sabe que não será fácil, não é mesmo?
— Eu sei. E o que mais me dói em tudo isso é Oliver ter permitido que ela falasse aquelas coisas sobre os nossos filhos... sem dizer uma única palavra.
— O fato de ele ter acalmado Maicon foi apenas consciência pesada.
— Eu sei.
— Jack... se a gente perder...
— Partiremos para os planos B e C.
— Perdoe-me, amiga, mas estou torcendo pelos planos B e C. Estou louca para ver Oliver se foder.
Natália olhou rapidamente para mim enquanto falava. Quando voltou a atenção para a estrada, o carro da frente já havia parado.
— Natália! — gritei.
Ela pisou no freio, mas não a tempo de evitar a colisão.
A batida me lançou para a frente, fazendo o cinto apertar meu peito. Durante alguns segundos, permanecemos imóveis, encarando o carro que havíamos atingido.

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