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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 76

POV Jaqueline

O médico retirou duas caixas da gaveta e as colocou sobre a mesa, ao lado da nova receita:

— Vou substituir seus medicamentos por outros mais fortes. Seu organismo pode levar algum tempo para se adaptar, então talvez você sinta tontura, náusea, sonolência ou algum mal-estar. Caso as reações sejam muito intensas, entre em contato comigo.

Observei a receita sem tocá-la:

— E quanto ao diagnóstico? Realmente não há nada que eu possa fazer?

Eu ainda tinha esperança. Por menor e mais irracional que fosse, uma parte de mim esperava que ele tivesse descoberto alguma possibilidade desde a nossa última conversa.

O médico permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder:

— Não, Jaqueline. Como já mencionei, não há nada que possamos fazer.

Engoli em seco e assenti, fingindo que ouvir aquilo pela segunda vez doía menos do que na primeira.

— Entendi. — Nem eu sabia por qual motivo forcei um sorriso.

Mas eu não tinha entendido. Não conseguia compreender como a medicina podia trocar meus remédios, aumentar as doses e tentar aliviar os sintomas... sem ser capaz de me impedir de morrer.

Assim que saí da consulta, liguei o celular. Parei no mesmo instante e me recostei na parede, sem condições de continuar andando. Eram tantas ligações que eu nem conseguia contá-las. Minha mãe, Oliver...

Oliver! As crianças!

Retornei a ligação com a mão tão trêmula que temi deixar o celular cair no chão.

— Onde, porra, você se meteu? — A voz de Oliver, do outro lado da linha, atingiu-me como um soco no estômago.

— O que houve... com... eles?

Ele demorou um pouco para responder. Quando voltou a falar, sua voz estava mais calma:

— Zoe e Maicon estão bem.

Respirei fundo, sentindo o peso do mundo deixar minhas costas e o ar voltar aos meus pulmões.

— Onde você está, Jaqueline? — Oliver insistiu.

— Na empresa... onde começarei a trabalhar.

Eu jamais diria que estava em um hospital. Além disso, Oliver precisava se acostumar com o fato de que eu não poderia atender sempre que ele quisesse, porque, a partir de agora, eu seria uma mulher com um emprego.

— Ah, sim — ironizou. — Um emprego dado pelo amante.

Mordi o lábio e não respondi. E, sinceramente, nem tive vontade.

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