Entrar Via

Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 75

Niko passou a mão pelo rosto, tentando esconder a impaciência.

— Vamos tentar de novo — disse ele. — Você entrou numa farmácia?

— Fui comprar um negócio.

— Que negócio?

— Um negócio que minha mãe pediu.

Seus olhos correram pela sala antes de se fixarem no teto:

— Essa luz está fazendo barulho.

— A luz não está fazendo barulho — o policial se irritou.

— Está, sim. — Ele cobriu um dos ouvidos. — Manda ela parar. Eu não consigo pensar porque ela está falando.

Niko se inclinou na direção de Johnny:

— Você pegou o celular de dentro da bolsa de uma mulher?

— Ela tinha dois — Johnny respondeu, visivelmente fora de si.

— Duas bolsas?

— Dois celulares. — Johnny deu de ombros. — Ninguém precisa de dois celulares. Eu não tenho nenhum.

— Então você pegou um deles — concluí.

— Eu peguei emprestado.

— Sem pedir? Se você não pede, não é emprestado — o policial rebateu, perdendo a paciência, assim como todo mundo naquela sala.

— Ela estava ocupada. Foi por isso que eu não pedi.

Fechei os olhos por um instante. Ao meu lado, Niko soltou um suspiro. Ainda bem que ele era meu melhor amigo. Porque, se não fosse, aposto que me mandaria para a puta que pariu por tê-lo feito parar a própria vida para presenciar aquilo.

— Eu quero ir embora. Minha mãe está me esperando. Jack vai ficar brava se eu demorar. Ela sempre fica brava. Depois resolve tudo... ela grita, mas resolve.

Jaqueline nunca gritava. Em sete anos, ela jamais ergueu a voz, não importava o que acontecesse. A única coisa capaz de desestabilizá-la era quando algo acontecia com Zoe ou Maicon.

Lembrei-me dos gritos desesperados dela quando Zoe caiu da cama e quebrou o braço, há anos atrás. Jaqueline chorou durante todo o caminho até o hospital. Zoe não sofreu tanto quanto a mãe.

Afastei-me da mesa e fiquei em silêncio enquanto Niko orientava Johnny a não prestar nenhuma outra declaração. Em seguida, chamou o policial e pediu alguns minutos fora da sala.

— Ele não tem condições de compreender o que está acontecendo — Niko disse quando voltamos ao corredor. — Muito menos de prestar um depoimento coerente. Como não houve violência, o aparelho foi recuperado e Johnny não foi pego com a droga, vou tentar evitar que ele permaneça aqui. Mas isso não significa que o problema desapareceu. Haverá uma investigação, e as imagens não ajudam em nada na situação dele.

— Faça o que for necessário. — pedi.

— Eu farei o que for legalmente possível, Oliver. Não confunda as duas coisas.

Niko passou quase uma hora conversando com os policiais e analisando o registro. Fez ligações, discutiu procedimentos e apresentou os pedidos necessários.

Anabelle permaneceu o tempo todo sentada na beirada de uma cadeira, levantando-se cada vez que alguém atravessava o corredor.

Quando Niko finalmente se aproximou, ela praticamente saltou sobre ele:

— E então?

— Johnny será liberado nesta noite, mas responderá pelo que aconteceu. O celular foi recuperado, não houve violência e conseguimos evitar que ele permanecesse detido enquanto o caso prossegue. Isso não significa que a acusação deixou de existir.

Anabelle levou as mãos à boca e começou a chorar:

— Obrigada, Oliver. — Ela me abraçou. — Muito obrigada. Minha filha tem sorte de ter você.

Engoli em seco, atingido pelas palavras de Anabelle. E... eu nem sabia por que aquilo mexeu tanto comigo.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu