— A vítima relatou que o celular desapareceu de dentro da bolsa enquanto ela estava numa farmácia. As câmeras mostram o rapaz se aproximando e colocando a mão na bolsa. Pouco depois, encontramos o aparelho com um homem já conhecido por tráfico. E este afirmou que recebeu o celular em troca de entorpecentes.
Anabelle se aproximou:
— As imagens devem estar ruins. Johnny só pode ter esbarrado nessa mulher. Meu filho não colocaria a mão na bolsa de ninguém.
O policial a encarou por um instante, mas não discutiu.
— Podemos vê-lo? — perguntei.
— O advogado poderá conversar com ele quando chegar.
— Eu sou da família — Anabelle insistiu. — Sou a mãe dele.
— E terá que esperar, senhora.
— Esperar? Meu filho está preso lá dentro e você quer que eu espere?
Segurei-a pelos ombros antes que se inclinasse ainda mais sobre o balcão.
— Anabelle, gritar não ajudará Johnny.
— Então faça alguma coisa! — Ela se virou para mim, completamente descontrolada. — Você sempre consegue resolver tudo. Tem dinheiro, conhece pessoas importantes... Por favor, Oliver. Se Jack estivesse aqui, ela saberia o que fazer.
Claro que Jaqueline saberia o que fazer, porque aquela não era a primeira vez que precisava salvar o irmão. E talvez eu jamais tivesse contado quantas vezes ela fez aquilo sozinha.
— Eu já chamei um advogado.
— Mas você não pode pagar para soltarem Johnny agora?
— Isso não funciona assim, Anabelle.
— Tudo funciona assim quando se tem dinheiro.
Antes que eu respondesse, a porta da delegacia se abriu e Niko entrou ajeitando a gola da camisa, com o paletó jogado sobre o braço e uma expressão que deixava claro o quanto gostaria de estar em qualquer outro lugar. Meu amigo não era advogado de porta de cadeia.
— Diga que ele não bateu em ninguém — pediu ao se aproximar.
— Não houve violência — respondi.
— Ótimo. Já temos uma tragédia a menos.
Anabelle segurou a mão de Niko:
— Você é o advogado? Precisa tirar meu filho daqui. Ele é um bom menino. Não sei por que estão fazendo isso com ele.
Niko olhou para mim. Eu apenas meneei discretamente a cabeça, pedindo que não discutisse com ela.
Niko se identificou e solicitou acesso ao registro da ocorrência. Depois de conversar durante alguns minutos com o policial, conseguiu autorização para falar com Johnny. Anabelle tentou nos acompanhar, mas foi impedida de entrar.

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