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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 65

Eu sempre acreditei que paguei pelo meu erro, o único que cometi durante aqueles sete anos. Por ter drogado meu marido, recebi aquilo que mais me machucava: sua raiva e seu desdém.

Oliver sempre me ignorou. Mesmo depois do casamento, sequer conseguiu fingir que gostava ao menos um pouco de mim. Depois da primeira vez em que dormimos juntos, ele se afastou ainda mais. Quando engravidei, enterrou qualquer possibilidade, por menor que fosse, de aquele casamento dar certo.

Não importava o quanto eu me esforçasse, sempre soube que Brianna jamais sairia da cabeça dele. Mas eu amava Oliver e, por isso, fingia para mim mesma que, algum dia, ele poderia sentir qualquer coisa por mim.

Eu me anulei. E aquilo não foi totalmente culpa dele, porque eu já vivia anulada há muito tempo. Pensei que, ao sair da casa onde morava com meus pais e meu irmão, teria ao menos uma oportunidade de superar meu trauma e me tornar uma pessoa normal.

No fim, percebi que, independentemente de onde eu estivesse, jamais seria aquilo que as pessoas esperavam que eu fosse. A única felicidade que encontrei na vida foram os meus filhos. Agora, até isso a vida estava tirando de mim... o prazer de ser mãe e de acompanhar o crescimento deles.

Se eu fosse corajosa, tudo poderia ter sido diferente. Poderia ter ido morar com Natália, como ela sugeriu tantas vezes. Também poderia ter pegado minhas coisas, conseguido um emprego e construído minha própria vida, porque teria o amparo da minha melhor amiga.

Mas eu sempre fui aquela pessoa... a que não tinha coragem de tomar decisões importantes. E que, quando finalmente tomava alguma, logo se arrependia.

Não me lembrava se fui uma criança feliz. Mas sabia exatamente o momento em que deixei de ser. Meu maior trauma foi causado pelo meu próprio pai... algo que jamais compartilhei com ninguém, nem mesmo com a minha melhor amiga. E que nunca, em hipótese alguma, dividiria com outra pessoa. Porque sentia vergonha de tudo o que aconteceu comigo.

Há pessoas que nascem para alegrar a vida dos outros. Há pessoas que chegam ao mundo com o propósito de ensinar alguma coisa a quem precisa aprender.

E havia eu... que nasci para carregar um peso sobre as costas. O simples peso de ser eu mesma.

Eu entendia que Brianna também passou por coisas muito ruins... afinal, ser abandonada pela própria mãe também devia doer. Mas fui destruída de uma forma que não permitia conserto, não importava quanto tempo passasse.

Brianna conseguiu perdoar a mãe. Aliás, a mãe pediu perdão, e isso, por si só, já representava um alívio e uma maneira de amenizar sua dor. Brianna sabia que existia arrependimento pelo que fizeram contra ela.

Eu jamais receberia um pedido de perdão, porque meu pai mal sabia quem era. E, mesmo que pedisse, eu não conseguiria perdoá-lo. Graças ao que ele fez, eu me tornei aquela pessoa assustada e medrosa, que mal conseguia demonstrar qualquer tipo de sentimento ou buscar a própria felicidade.

Eu não me considerava digna de ser feliz. E, pelo visto, não estava enganada. A própria vida me provava que não existia espaço para mim. Ao menos não nesta vida.

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