Antes que qualquer um de nós pudesse reagir, Dulce Marta foi até Zoe, pegou-a no colo e a levou dali. Antes de sair, lançou um breve olhar para Cirdan, como se estivesse se comunicando silenciosamente com o marido.
Talvez eu tenha sido infantil, principalmente num momento como aquele. Mas também não esperava que a reação de Oliver fosse daquela maneira... ainda mais imatura do que a minha.
Ainda assim, por mais que eu estivesse um pouco arrependida, ver Oliver ali, gritando de dor, foi tão... gratificante.
O fato de eu querer que ele sofresse não significava que eu era uma pessoa ruim. Eu só desejava que a vida ainda me desse a oportunidade de ver aquele homem passar por uma pequena parte do que eu suportei ao longo de sete anos.
Eu sabia que nada do que Oliver fazia era motivado por ciúme. Era ego ferido, orgulho, incapacidade de aceitar que outra pessoa pudesse ficar com aquilo que acreditou durante toda a vida pertencer somente a ele e a mais ninguém.
Felizmente, decidi que minha vida não dependia mais de Oliver Bianchi e que eu não precisava continuar implorando por migalhas de afeto. Infelizmente, só percebi isso quando me restava pouco tempo de vida.
Eu tinha uma certeza: Oliver odiava Adriel mais do que qualquer outra pessoa. Também tinha outra: o homem que Oliver tanto odiava ocupava minha cabeça por tempo demais, considerando que eu mal o conhecia.
Eu já não era a mulher que se importava mais com o marido do que consigo mesma. Agora, com exceção dos meus filhos, não me importava com nenhuma outra pessoa além de mim.
Cirdan foi acudir o filho, que, nos últimos dias, decidiu quebrar o próprio corpo em vez de lidar com a realidade. Oliver amava Zoe e Maicon. Mas uma coisa me preocupava: ele conseguiria cuidar dos filhos sozinho quando não conseguia sequer cuidar de si mesmo?
— Está feliz? — ouvi a voz discreta de Brianna ao meu lado.
— Não tanto quanto deveria — fui sincera.

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