Mas eu sabia que não poderia manter aquilo para sempre. Até porque “sempre” era uma coisa que já não existia para mim.
— Eu adoro a tia Natália. Mas... podemos voltar para casa, mamãe? — Zoe perguntou.
— Eles têm uma casa, Jaqueline. E não será colocando meia dúzia de coisas que pertencem a eles numa mala que você conseguirá convencê-los de que não precisam mais do próprio lar, o lugar onde viveram durante toda a vida.
Talvez Oliver tivesse razão. Zoe e Maicon tinham uma casa perfeita, um pai cuidadoso que lhes dava carinho e uma mãe que renunciou a tudo por eles. Eram amados incondicionalmente.
Porém, talvez tivesse chegado a hora de entenderem que aquilo nunca foi um lar de verdade para os pais. E que poderiam, sim, ser felizes em duas casas diferentes.
Talvez a nova rotina não fosse fácil. Contudo, ela precisava começar, afinal, aquilo que entendiam como uma família formada por pai e mãe estava mudando. E seria uma mudança permanente, sem nenhuma possibilidade de voltarmos ao que éramos.
— Oliver... precisamos ter cuidado com as mudanças que acontecerão no lugar que sempre foi a casa deles.
Temi que Oliver não entendesse o que eu quis dizer. Então procurei ser clara:
— Estou falando sobre a minha prima... ocupando um espaço que precisa ser apresentado aos poucos. Eles só têm... seis anos. Você sabe o quanto nos esforçamos para lhes proporcionar uma vida quase... real. Não foi real para nós, mas foi para eles.
Eu dizia aquilo esperando que Maicon e Zoe não compreendessem o que Oliver e eu realmente discutíamos. Ainda assim, não tinha certeza, pois Zoe era muito esperta.
— Nós voltaremos para a casa de Natália — avisei.
Eu sabia que aquilo era provisório. Arranjaria uma casa para nós o mais rápido possível e acreditava que eles seriam felizes ao meu lado, onde construiríamos juntos o nosso novo lar.
— Eu quero ir para casa. — Zoe balançou as pernas, desvencilhando-se do colo do pai. — Para a nossa casa.
Não dava mais para adiar. Eu achei que conseguiria conduzir a situação por mais algum tempo, inserindo pouco a pouco a nova realidade na vida dos gêmeos. Mas estava enganada. Não daria certo.
Era o fim da tarde, naquele período em que o dia e a noite disputavam espaço e não se sabia se aquilo ainda era o final do dia ou já o começo da noite.
Eu estava cansada. E um pouco trêmula.
— Você sequer os levou para a escola hoje — Oliver cobrou.
— Eles têm seis anos. Não vão reprovar porque passaram uma tarde ao lado da mãe.
— E do papai — Zoe fez questão de dizer, deixando claro que não apenas escutava a nossa conversa, como também prestava atenção em cada palavra.
— O papai e a mamãe precisam contar uma coisa para vocês... — comecei.
Olhei para Oliver, pedindo sua ajuda. Pela primeira vez, eu queria que ele participasse daquela parte difícil: contar a Maicon e Zoe sobre o divórcio.
Ele franziu a testa, parecendo tão curioso quanto os nossos filhos.
Zoe levantou os olhos imediatamente. Maicon apertou a minha mão com um pouco mais de força, mantendo-se entre Oliver e eu. Certamente, segurava a mão do pai com a mesma intensidade, como se previsse que havia alguma coisa estava errada e soubesse que aquilo mexeria com ele.
— É uma coisa ruim? — Zoe perguntou.

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