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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 61

Tirei forças de onde já não havia nenhuma e abri os olhos. O estrondo foi tão alto que pareceu acontecer dentro da minha cabeça. Quando consegui erguer o olhar, Maicon estava caído no meio da rua. E Oliver estava ao lado dele.

Não pensei no meu coração. Não pensei no médico, no esforço que precisava evitar ou em absolutamente nada além do meu filho estendido no asfalto.

Saí do transe e corri até eles. Oliver estava ajoelhado, tentando pegar Maicon no colo.

Tentei gritar, mas minha voz se recusou a sair. Quando me aproximei, minhas pernas tremiam tanto que achei que não conseguiriam manter meu corpo de pé.

Ajoelhei-me ao lado de Maicon, de frente para Oliver. A luz intensa dos faróis iluminava tudo com tanta força que quase cegava a minha visão.

Maicon se mexeu, e percebi que seus olhos estavam abertos. Ele os semicerrou por causa da claridade.

Oliver tentou pegá-lo no colo, mas, no mesmo instante, Maicon começou a se debater, recusando-se a ser tocado.

Eu também tentei, mas, pela primeira vez, meu filho não aceitou o meu toque. E aquilo me destruiu.

Aos poucos, Maicon ergueu o corpo até conseguir sentar-se no meio da rua.

Oliver insistia em pegá-lo, o que deixava Maicon ainda mais nervoso. Ele afastava as mãos do pai com t***s desesperados.

Examinei seu rostinho, seus braços e suas pernas. Não havia sangue... nem ferimentos. Mas eu estava desnorteada demais para compreender o que tinha acontecido.

Então, meu filho colocou as duas mãos sobre as orelhas, abaixou a cabeça em direção às pernas e começou a gritar de maneira incontrolável.

Seria mentira dizer que eu nunca presenciei aquele tipo de comportamento em meu filho. No entanto, jamais vi uma crise daquela intensidade. Não era apenas sofrimento... era como se o mundo inteiro dele estivesse desmoronando.

Eu não conseguia ver seu rostinho. Seu corpo começou a se balançar com força, para a frente e para trás, ainda rejeitando qualquer tentativa de toque.

Percebi algumas pessoas se aproximando. Oliver gritou alguma coisa, fazendo com que se afastassem.

— Maicon, a mamãe está aqui. — Coloquei-me diante dele. — Olhe para mim, meu amor. — Minha voz quase não saía porque eu estava em prantos. — Você não está sozinho... e nunca estará. A mamãe e o papai estão aqui... ao seu lado.

— Você está seguro, filho — Oliver disse, alisando seus cabelos.

Maicon abaixou ainda mais a cabeça, tentando escapar daquele contato sem retirar as mãos que cobriam seus ouvidos.

Tentei pegá-lo à força, mas Oliver segurou meu pulso:

— Espere, Jaqueline. Dê a ele o tempo de que precisa.

— Ele foi atropelado, Oliver!

— Ele... não tem ferimentos! — Oliver precisou quase gritar para que eu o escutasse em meio aos gritos de Maicon.

Foi então que finalmente olhei ao redor. Havia um carro parado a poucos centímetros de Maicon. Era o veículo que mantinha os faróis acesos. Sua dianteira estava intacta.

O motorista saiu do carro, atordoado. Deu alguns passos em nossa direção e cambaleou.

— O motorista conseguiu frear a tempo — explicou alguém que estava próximo.

A pessoa não falava comigo, mas respondia a outra que fez uma pergunta:

— Mas o carro que vinha atrás não conseguiu. E o terceiro praticamente destruiu o segundo.

— Foi um milagre o menino ter se salvado.

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