POV Jaqueline
Adriel Andrade disse que os documentos estavam todos prontos e que eu poderia começar a trabalhar na A.A. Noire no dia seguinte. E falou tudo aquilo pessoalmente, dedicando alguns minutos do seu precioso tempo para mim.
Senti uma alegria inexplicável surgir dentro de mim. Era um dos itens da minha lista prestes a se realizar. E, mais uma vez, Adriel seria o responsável por isso.
Perguntei-me quantos itens da minha lista aquele homem seria capaz de realizar.
— Você não vai mais nem disfarçar agora? — A voz de Oliver me puxou de volta para a realidade.
A difícil realidade na qual Oliver ainda acreditava que eu lhe devia explicações, embora não as cobrasse nem mesmo quando éramos casados. Também acreditava que eu o traí, quando nunca sequer olhei para outro homem.
— Não preciso disfarçar nada. Adriel será meu chefe a partir de amanhã. E você não tem nada a ver com isso.
Ele riu, debochado:
— Eu jamais imaginei que você faria algo desse tipo, Jaqueline. Você me enganou muito bem, admito.
Respirei fundo e me lembrei de que não lhe devia explicações. Ajoelhei-me sobre a toalha e avisei às crianças:
— Hora de guardar tudo, meus amores. A mamãe precisa providenciar algumas coisas para amanhã.
Eu realmente tinha muitas coisas para fazer, começando pela compra de algumas roupas e por uma reunião em família com eles, na qual explicaria que, pela primeira vez, a mamãe precisaria deixá-los durante algumas horas do dia para trabalhar.
“Algumas horas do dia.” Para mim, cada hora contava. Cada minuto que passava representava um a menos ao lado de Zoe e Maicon. Ainda assim, mesmo sabendo que meu tempo com eles era precioso, eu desejava fazer várias coisas que não pude, não quis ou não consegui realizar durante os meus vinte e cinco anos de vida.
Trabalhar era uma delas. Contudo, trabalhar significava passar um tempo longe de Zoe e Maicon. Pela primeira vez, refleti verdadeiramente sobre isso. Eu teria que fazer uma escolha.
Zoe e Maicon não contestaram. Para eles, guardar os alimentos era uma diversão tão grande quanto retirá-los da cesta.
Oliver não ajudou. Eu não olhei para ele, mas sentia seu olhar me queimando.
Assim que guardamos tudo na cesta, Oliver a pegou da minha mão:
— Pode deixar que eu levo.
Puxei-a de volta:

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