— Papai já saiu do trabalho — expliquei aos gêmeos — e está disponível para Zoe e Maicon.
— Papai tem um compromisso com a amiga dele — ela provocou.
— Nada é mais importante para o papai do que Zoe e Maicon.
— Mas a amiga do papai também ocupa um lugar muito importante... tanto que ele se esqueceu de buscar os filhos na escola.
— O papai não se esqueceu. — Sustentei o olhar dela. — O papai apenas teve um problema com o relógio... que parou de funcionar.
— O papai não funciona mais — ela me fuzilou com os olhos — ao menos não neste espaço.
— O papai...
— Maicon está com fome — ele avisou, puxando a saia da mãe.
— Eu... gostaria muito de participar do piquenique. — Olhei diretamente para Jaqueline.
— Por quê? Por que justamente hoje? Este é o meu momento...
— Hoje porque você tirou o meu momento... durante praticamente quarenta e oito horas.
— Maicon pode comer? — ele perguntou novamente.
— Já vamos comer, meu amor. — Jaqueline o pegou no colo. — Mas primeiro vamos preparar uma porção para o papai levar. Infelizmente, ele não poderá ficar conosco, mas não vamos deixá-lo perder este lanche maravilhoso. Embalaremos o dele para viagem.
— Papai está morrendo de fome e nem almoçou — expliquei para Maicon, que me observava do colo da mãe.
— Pois o papai...
— Vocês vão deixar o Maicon morrer de fome? — Dessa vez, Zoe se manifestou.
Talvez eu devesse ir embora. Mas eu queria participar. E foi então que decidi que tinha aquele direito.
Não pedi permissão. Simplesmente me sentei, apoiei as costas no tronco de uma árvore e abri a cesta.
Lá dentro, encontrei frutas vermelhas frescas, snacks de frutas, minisanduíches de pão brioche, muffins, cupcakes decorados e... salgadinhos e três latas de refrigerante.
Olhei para Jaqueline, hesitante antes de retirar as latas da cesta, certo de que aquilo só podia ser um engano de quem preparou tudo.
Zoe passou a mão em um cupcake decorado e deu uma mordida, lambuzando-se inteira. Depois estendeu para mim o bolinho colorido já mordido.
— Foi a mamãe que fez — contou, orgulhosa. — Maicon e eu decoramos.
Observei as pequenas estrelas coloridas na cobertura e abri a boca, mordendo a mesma parte que ela, já que não me deu outra opção.
Eu não me lembrava da última vez que comi um cupcake. Também não recordava o quanto era bom. Desde quando Jaqueline sabia fazer aquilo?
Maicon estendeu o dele para a mãe antes de dar a própria mordida. Jaqueline provou um pedaço, e os dois sorriram naquela cumplicidade que me deixava desnorteado.
Um pouco da cobertura ficou no queixo de Jaqueline e, de maneira automática, ergui a mão para limpar.
Maicon foi mais rápido do que eu. Quando se tratava da mãe, ele se transformava no Flash. E, se fosse necessário, no próprio Thor. Eu ri.
Zoe se levantou e parou diante de mim, limpando meus lábios:
— Papai está sujo de cobertura. Gostou da nossa cobertura, papai?
— Gostei muito — confessei.
— Adivinhe qual é o ingrediente secreto? — ela questionou.
Felicidade? Seria a felicidade o ingrediente capaz de apagar toda a tensão daquele dia?
— Nuvens — Maicon respondeu, sorrindo. — Maicon usou nuvens.

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