— O que... foi isso? — Natália perguntou, apavorada.
Olhei para as minhas mãos trêmulas. Então percebi que minhas pernas estavam infinitamente piores. E eu não queria deixar aquilo chegar ao coração. Precisava evitar emoções fortes e impedir que os desmaios acontecessem.
Não precisei dizer nada. Natália me amparou e me levou até o sofá. Quando me sentei, pareceu que o mundo finalmente começou a voltar ao normal, assim como a minha respiração. Dignidade? Eu já a tinha perdido desde que permiti que Oliver entrasse ali.
Quando percebi o copo de água diante de mim, bebi tudo, até a última gota.
Natália pegou a minha mão:
— Você está gelada.
— Isso é estranho... porque, minutos atrás, eu estava pegando fogo.
— Pegando... fogo?
Suspirei e deixei a cabeça descansar no encosto do sofá.
— Não... Por favor, não me diga que deixou aquele filho da puta tocar em você.
Virei o rosto para ela e confessei, envergonhada:
— Ele me beijou.
Natália meneou a cabeça, incrédula:
— Eu devia ter quebrado a estátua na cabeça dele.
— Você quase me acertou, Natália.
— Jack... ele é o homem que ignorou você por sete anos.
— E, ainda assim é o homem que amei por quinze anos. Acha que será fácil arrancá-lo do meu coração? Eu sei que preciso apagá-lo, Natália. Mas também estou ciente de que isso pode demorar um pouco mais do que eu gostaria.
— O que faz você ainda... acreditar nele?
Eu ri com escárnio:
— Eu não acredito em Oliver. E, em momento algum, me iludi pensando que ele veio até aqui porque tem interesse em mim. Tudo isso é por causa do ego ferido. Aos olhos de Oliver, ele perdeu alguém que julgava permanentemente disponível.
— E... ele realmente perdeu?

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