Meus dedos, que deveriam empurrá-lo, agarraram o tecido de sua camisa. Minha boca se abriu para ele e, quando sua língua encontrou a minha, todo o meu corpo pareceu reconhecer algo pelo qual esperara durante uma vida inteira.
Eu sentia o gosto de Oliver, o homem por quem havia vivido durante sete longos anos. A língua dele exigia a minha em um gesto de posse. Meu corpo estremeceu levemente e correspondeu, como se soubesse que pertencera a ele a vida inteira.
Mesmo depois de passar anos oferecendo um amor ridículo a um homem que nunca quis recebê-lo, meu corpo ainda se recusava a aceitar aquela rejeição.
Uma lágrima escapou pelo canto do meu olho. Eu chorava porque aquele beijo que sempre desejara... havia chegado tarde demais.
E havia uma mulher esperando por Oliver em casa. A mulher que ele realmente amava. A língua dele exigindo a minha não significava que existisse amor. Ou melhor, havia, sim, sentimentos da parte de Oliver. E não era apenas um. Eu poderia facilmente enumerá-los: orgulho, ego e certeza.
Oliver queria se certificar de que poderia me ignorar durante a vida inteira, fingir que eu era invisível e, ainda assim, bastaria estender um dedo para que eu corresse até ele.
Mas tudo havia mudado. Eu não era mais aquela mulher cuja existência ele fingia não perceber. Agora, sabia que outro homem havia me desejado. Que esse homem me beijara quando meu próprio marido nunca o fizera.
Oliver só queria provar a si mesmo que ainda me tinha nas mãos.
E, sinceramente, o que mais doía era perceber que ele ainda tinha. Contudo, eu desejava mudar aquilo. Queria, com toda a minha alma, deixar de amar Oliver Bianchi. E decidi que havia chegado a hora de fazer isso e seguir com minha vida. Eu tinha pouco tempo e não queria desperdiçá-lo com um babaca egocêntrico como ele.
Finalmente me afastei, respirando com dificuldade. Fui eu quem encerrou o beijo. Levei os dedos aos lábios ainda úmidos e limpei a maldita lágrima que havia escorrido pela minha bochecha.
O rosto dele era iluminado pela luz quente e amarelada, tornando o ambiente quase romântico. Romântico o suficiente para que eu tivesse coragem de dizer, com um sorriso nos lábios:
— Eu só queria confirmar quem beijava melhor.
— O... quê?
— Seu irmão beija infinitamente melhor do que você.
Primeiro, um breve lampejo de pavor atravessou seus olhos. Pavor ao perceber que já não era idolatrado e que aquilo que se recusara a fazer durante anos, outro homem fizera em poucos minutos. Depois, sua expressão mudou, e ele sorriu:
— É neste momento que você tira a prova de que te fode melhor?
Dei um tapa no rosto dele. Naquela maldita cara que já estava completamente destruída.

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