— Mas, Jack... isso é... quase impossível.
— Ele poderá ver as crianças duas vezes por semana.
— Isso não é nada compartilhado.
— Eu estou morrendo, Natália. — Uma lágrima escapou do meu olho. — Não posso dividir com ele o pouco tempo que tenho ao lado de Zoe e Maicon. Oliver terá todo o tempo do mundo com eles em menos de um ano. Acho... que ele poderá suportar isso. Serão apenas alguns meses.
— Então usaremos a doença para você ficar com a guarda? Sinceramente, não acho que vai funcionar. Raramente os juízes se comovem. Eles agem de acordo com a lei e com aquilo que consideram melhor para as crianças.
— Não usarei a doença, Natália. Usaremos o fato de eu ser uma boa mãe e de nunca ter ficado longe dos meus filhos por um minuto sequer. Eu mereço ficar com eles... não porque vou morrer, mas porque me doei a eles de corpo e alma. Abri mão de tudo por Zoe e Maicon e jamais cobrarei isso de ninguém. Foi escolha minha... totalmente consciente. Nem Oliver me obrigou a abandonar o que eu nunca tive...
Sorri com ironia, porque, mesmo antes de as crianças nascerem, eu não fazia nada além de esperar por Oliver em casa, receber um simples cumprimento e, depois, a solidão.
Oliver sempre fingia trabalhar até tarde para não correr o risco de me encontrar ou precisar dar qualquer explicação.
Ele foi covarde por não ter sido direto e dito com todas as palavras que queria que eu fosse embora, que não gostava de mim. No entanto, preferiu o silêncio... porque era o que lhe parecia conveniente.
— Enfim... não quero colocar a culpa em ninguém. Até porque não há culpa. Tudo o que existe é uma mulher que planejou ser mãe e decidiu que aquela era a melhor coisa que poderia fazer da vida.
Enxuguei as malditas lágrimas, que já começavam a me irritar:
— Eu tive o prazer de se ar mãe de Zoe e Maicon por seis anos. — Sorri. — Deus foi tão bom comigo. Eles são as crianças mais incríveis que já conheci.
Natália enxugou a própria lágrima:
— Eu simplesmente detesto você quando me faz chorar desse jeito. Dá vontade de lhe jogar uma estatueta.
— Ao mesmo tempo que acho injusto deixar este mundo tão cedo... sou grata pelas poucas coisas que recebi. E isso inclui... Oliver.
— Você só pode estar brincando!
— Oliver me fez conhecer o amor... mesmo que esse sentimento nunca tenha sido correspondido. E me deu o que eu mais queria na vida: um filho. E veja como a vida foi boa comigo... porque me mandou dois.
— E ela também mandou um gostosão que, a partir de agora, você vai chamar de chefe. Amiga, você tem exatamente onze meses de muita fodeção e pornografia em cima de uma mesa de escritório.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu