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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 37

Sim, tudo fazia sentido. Só era difícil acreditar que aquela mulher introspectiva, que nunca tinha voz para nada, me traía bem debaixo do meu nariz.

Como pude ser tão ingênuo?

— Não faça isso, Oli. Não vá atrás dela. Você conseguirá a guarda dos seus filhos judicialmente, e Jaqueline não poderá fazer nada a respeito.

Sim, eu não tinha dúvidas de que conseguiria a guarda permanente. E, quando isso acontecesse, seria Jaqueline quem sentiria o que eu estava sentindo naquele momento: um vazio inexplicável, como se tivessem arrancado a minha alma.

Olhei para a escadaria e consegui visualizar Zoe correndo na minha direção. Logo atrás dela, vinha Maicon, com aquele sorriso tímido, mas tão carinhoso quanto o da irmã, talvez até mais.

Zoe contava cada detalhe de seu dia. Maicon tentava fazer o mesmo, mas, no fim, sempre optava por ouvir a irmã e rir de suas histórias. Era possível perceber em seu olhar o quanto admirava Zoe. Eram gêmeos diferentes não apenas na aparência, mas em tudo. E, ainda assim, perfeitos em cada detalhe.

Zoe e Maicon eram a melhor coisa que eu e Jaqueline já havíamos feito na vida. E fora exatamente por esse motivo que a perdoei pelo que ela fez. Porque, se ela não tivesse colocado a droga em minha bebida, talvez eu nunca experimentasse aquele amor genuíno e tão intenso que parecia esmagar meu peito. O amor de pai.

Ainda assim, saber que fui usado e lembrar do que ela havia sido capaz de fazer para satisfazer um desejo pessoal me fazia temer até onde aquela mulher poderia chegar quando queria alguma coisa. Então, sim, ela seria capaz de usar meus filhos contra mim.

Eu precisava de apoio. E só existia um lugar onde poderia encontrá-lo.

— Vou à casa dos meus pais — avisei.

— Espere. Vou trocar de roupa.

— Brianna, acho melhor você ficar.

— Mas... precisamos contar a eles, Oli.

Respirei fundo. Aquela era uma parte complicada. No entanto, eu não poderia mentir para ela:

— Preciso fazer isso sozinho, Brianna.

— Mas, a partir de agora, somos um casal e precisamos resolver as coisas juntos.

— Meu pai e minha mãe gostam muito de Jaqueline. Talvez... eles não lidem bem com o divórcio.

Brianna riu com ironia:

— Eles sempre deixaram bem clara a preferência por ela, não é mesmo?

Abaixei a cabeça, fingindo não compreender o que ela queria dizer.

— Quando você quis se casar comigo, eles criaram empecilhos. Quando pediu Jaqueline em casamento, concordaram. O que eu me pergunto é: o que fiz para que eles nunca me aceitassem?

Acho que eu jamais saberia a resposta exata para aquela pergunta. E, em meio a tudo o que estava vivendo, aquela não era uma boa hora para tentar descobrir.

— Precisamos ir com calma, Brianna.

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