— Pai, eu e Jaqueline estamos divorciados.
No exato momento em que pronunciei aquelas palavras, minha mãe entrou no escritório. Ela trazia uma bandeja com algumas xícaras de café, que caíram no chão e se espatifaram.
Fiquei imóvel.
— Eu estava me referindo à sua aparência, Oliver. Mas não imaginava que alguma coisa pudesse ser pior do que isso — disse meu pai.
Minha mãe não se moveu. Apenas olhou nos meus olhos e declarou:
— Você se arrependerá eternamente dessa decisão.
Respirei fundo:
— Mãe... o meu relacionamento com Jaqueline nunca deu certo. Foi baseado em uma mentira.
— Nesse caso, na sua — meu pai esbravejou.
Minha mãe deu alguns passos em minha direção e seus saltos terminaram de quebrar os pedaços de porcelana que ainda permaneciam inteiros:
— Diga que essa decisão de vocês não tem nada a ver com Brianna.
Abaixei a cabeça e respondi, sem encará-la:
— Se quer que eu minta, tudo bem... essa decisão não tem nada a ver com Brianna.
— Não! — Ela meneou a cabeça. — Não consigo acreditar nisso.
Encarei-a, perdendo a paciência:
— Sou adulto o suficiente para tomar minhas próprias decisões.
— Aquela mulher não merece um pingo da sua consideração, Oliver. Ou você se esqueceu de que ela o abandonou para ir embora com uma mãe que sequer a criou? Uma mulher que ela mal conhecia, que ofereceu dinheiro para compensar uma vida inteira de abandono... e Brianna aceitou.
Ri, com escárnio:
— E por que eu mereceria consideração, mãe? Eu e Brianna nos amávamos, e vocês me impediram de me casar com ela. E eu acatei.
Disse aquela parte pausadamente, carregando em cada palavra toda a dor que aquela decisão havia me causado na época:
— Fizeram-me escolher entre a mulher que eu amava e a empresa. E... eu perdi a mulher que amava.
— Será que você ainda não entende que nada daquilo tinha a ver com a empresa, Oliver?
— Então tinha a ver com o quê, mãe?
— Com Brianna.
— E o que vocês têm contra ela, afinal?
— Ela é uma mulher sem conteúdo e sem emoção. Simples assim.

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