— Oliver pode estar dirigindo — tentei justificar. — Ou em alguma reunião. O telefone pode estar no silencioso.
— Você sempre encontra uma desculpa para ele.
Fechei os olhos por um instante, comprimindo as pálpebras com força. Quando os abri novamente, respirei fundo e encarei minha mãe:
— Eu não estou encontrando desculpas.
— Eu fiz inúmeras ligações para ele, Jack. Se Oliver se importasse o mínimo que fosse com você, já estaria aqui.
Apertei o lençol entre os dedos. Eu não queria que aquelas palavras doessem. Principalmente depois de tudo o que Oliver havia falado nos últimos tempos.
Oliver me pediu perdão. Disse que reconhecia tudo o que havia feito comigo. Prometeu que estaria ao meu lado e que me protegeria, independentemente do que acontecesse. Falou como se estivesse disposto a passar o restante da vida tentando compensar cada ano durante o qual me ignorou, mesmo estando com Brianna.
E eu tentei entender. Afinal, era a mãe dos filhos dele, e precisávamos manter uma relação respeitosa e harmoniosa, levando em consideração o bem-estar de Zoe e Maicon.
Eu quase acreditei nas palavras daquele homem que me ignorou por mais de uma década. Abracei-o e chorei em seus braços como se tudo o que esperei ouvir durante quinze anos finalmente fosse capaz de consertar alguma coisa dentro de mim.
— Você não tem o direito de defendê-lo — minha mãe prosseguiu. — Oliver bateu em seu pai, quase matou seu irmão e agora ignora minhas ligações enquanto você está no hospital. O que mais ele precisa fazer para que finalmente o retire da sua vida?
Ele já havia saído da minha vida. Estávamos divorciados. Mas eu não quis contar aquela parte para minha mãe. Quanto menos ela soubesse sobre a minha vida, melhor seria para todo mundo.
Porém, as palavras dela, assim como toda aquela situação, fizeram com que eu refletisse sobre algumas coisas. Estávamos divorciados, mas Oliver não sabia o teor das ligações da minha mãe. Poderia imaginar que se tratava de Johnny, do meu pai ou de mais algum problema financeiro dos Walker.


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