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Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 206

A esperança que surgiu dentro de mim veio acompanhada pelo medo. Mas pela primeira vez, ela existia. Tinha uma mínima possibilidade de eu não morrer.

— E enquanto eu espero? Continuo desmaiando até um dia não acordar? — minha voz mal saiu.

— Não vamos simplesmente mandá-la para casa e esperar que isso aconteça. Existem tratamentos para reduzir os riscos enquanto a senhora é avaliada. A equipe precisará rever suas medicações, investigar melhor as arritmias e verificar se existe indicação de um aparelho capaz de identificar e interromper ritmos perigosos.

— Um marca-passo?

— É diferente. Estou falando de um cardiodesfibrilador implantável. Ele monitora o coração e pode aplicar uma descarga quando identifica determinadas arritmias graves. Mas preciso deixar claro que somente a equipe responsável, depois de analisar seus exames, poderá decidir se ele é indicado no seu caso.

Passei a mão lentamente pelo peito:

— Isso impediria a minha morte?

O médico não tentou me vender uma promessa. E eu agradeci internamente por isso.

— Pode reduzir o risco de morte súbita causada por algumas arritmias. Mas não impede a progressão da doença nem resolve todos os problemas. É uma forma de proteção, não uma cura.

— A cura seria o transplante?

— Seria a substituição do coração doente. E, mesmo depois de um transplante, existem cuidados para o resto da vida, medicamentos contra rejeição e acompanhamento constante. Não é um caminho simples. Mas é uma possibilidade que precisa ser avaliada antes que alguém diga à senhora que não há mais nada a fazer.

Meus lábios tremeram. Eu já tinha aceitado que morreria. Criei uma lista, planejei despedidas. Escrevi cartas para Zoe e Maicon. Comecei a me afastar de todos para que minha ausência doesse menos quando chegasse o momento. E agora aquele homem me dizia que talvez houvesse uma possibilidade, por mínima que fosse, de que eu poderia continuar viva?

— O senhor poderia me explicar sobre... o tempo para tudo isso acontecer?

Ele sustentou meu olhar:

— Não posso prometer quanto tempo a senhora terá. Nenhum médico responsável faria isso neste momento. Mas também estou dizendo que a senhora não deveria aceitar uma sentença definitiva antes de passar por uma avaliação especializada.

Dessa vez eu não consegui conter a lágrima. E aceitei derramá-la, já que não quebrava a promessa que fiz a mim mesma. Não era uma lágrima por antecipação à minha morte. Era uma lágrima de esperança... uma esperança que havia sido me tirada por um profissional que se dizia ser especialista em coração.

— Eu tenho dois filhos de seis anos. — sorri em meio às lágrimas, com a minha voz quase inaudível.

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