Permaneci em silêncio durante alguns segundos. Não adiantava mais mentir. Ao menos não para um médico.
— Sim. — minha resposta foi curta.
O médico me encarou, parecendo surpreso:
— Há quanto tempo a senhora sabe?
— Não faz muito tempo. — revelei.
— Está sendo acompanhada por um cardiologista?
— Sim.
— Faz uso correto das medicações?
Assenti, embora soubesse que, nos últimos dias, minha vida tinha se transformado numa sucessão de problemas e nem sempre eu respeitava os horários como deveria.
— O médico explicou a gravidade do seu caso?
Engoli em seco e senti uma vontade absurda de chorar. Mas tentei me manter firme. Eu havia jurado a mim mesma que não derramaria mais uma lágrima sequer por causa da minha condição. Meu choro não mudaria em nada a sentença que eu tinha em mãos.
— Ele disse que a doença estava avançando. Que... eu provavelmente tinha menos de um ano.
Pronunciar aquilo em voz alta sempre fazia a sentença parecer mais real. Menos de um ano. Menos de doze meses para me despedir dos meus filhos, da minha amiga e de tudo que eu ainda começava a conhecer.
O médico ficou em silêncio por um tempo breve. Depois perguntou:
— A senhora já está na fila para um transplante cardíaco?
O encarei, atordoada:
— Como assim? Eu não entendi.
— Transplante cardíaco. Já ouviu falar?

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