POV Jaqueline
A primeira coisa que ouvi foi um som repetitivo e irritante. Um apito curto, seguido por outro, sempre no mesmo ritmo.
Tentei abrir os olhos, mas minhas pálpebras estavam pesadas. Demorei um tempo para conseguir enxergar o teto branco sobre mim e ainda mais tempo para compreender onde estava: o hospital.
A última coisa de que me lembrava era da voz da minha mãe. Ela falava sobre Maicon. Dizia que ele era esquisito e o comparava a Johnny. Depois, meu peito começou a doer, o corredor ficou escuro e minhas pernas deixaram de me sustentar.
Tentei me levantar, mas uma tontura fez tudo girar. Apoiei a mão no colchão e percebi que havia um acesso preso ao meu braço. Também existiam fios grudados ao meu peito, ligados ao aparelho que emitia aquele som insistente.
— Zoe... Maicon...
Minha voz saiu tão fraca que mal consegui ouvi-la. Levei a mão ao peito. O coração batia de forma irregular, como se ainda estivesse tentando se lembrar de como deveria funcionar.
A porta se abriu e um médico entrou no quarto. Ele olhou para o monitor antes de se aproximar da cama:
— Senhora Jaqueline, como está se sentindo?
— Tonta. E... cansada.
Era um cansaço estranho. Não parecia que eu havia acabado de dormir. Parecia que meu corpo tinha lutado contra alguma coisa enquanto eu estava inconsciente. E perdido a batalha.
— Onde estão os meus filhos?
— Não sei informar. Mas havia uma mulher acompanhando a senhora quando chegou à emergência. Ela está do lado de fora.

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