POV Oliver
Eu sabia. Não precisava que Jack dissesse. Não precisava ouvir a confirmação de Adriel nem encontrar os dois juntos naquela cama. A camisa dele sobre o corpo dela, a provocação antes de a porta do elevador se fechar e a forma como ela evitou sustentar meu olhar disseram tudo.
Jack havia dormido com Adriel.
Aquelas palavras se repetiram dentro da minha cabeça até perderem o sentido. Mesmo assim, cada repetição parecia atingir uma parte diferente do meu corpo. Primeiro, meu peito. Depois, meu estômago. Por fim, minha cabeça inteira, que começou a latejar como se alguém estivesse batendo nela por dentro.
Apoiei uma das mãos na parede e tentei respirar. Não consegui. O corredor pareceu estreito demais, o ar desapareceu e, por alguns segundos, tive vontade de arrancar a porta do elevador com as próprias mãos, encontrá-la e perguntar se aquilo era verdade, que ela confirmasse dizendo cada palavra olhando nos meus olhos.
Mas eu não tinha o direito de perguntar. Eu não era mais o marido de Jack. E, mesmo quando fui, não agi como um.
Fechei os olhos e a imaginei com ele. Foi a pior decisão que minha mente já tomou, considerando que ela possuía um currículo extenso de decisões desastrosas.
Pensei nas mãos de Adriel tocando o corpo que permaneceu ao meu lado durante sete anos. Imaginei Jack sorrindo para ele, permitindo que a beijasse, dizendo o nome dele entre gemidos.
Fui atingido por uma imagem estranha. Eram os cabelos escuros dela espalhados sobre um travesseiro. Alguns fios tocavam meu rosto, fazendo cócegas no meu nariz. Uma respiração quente atingia meu pescoço, enquanto mãos pequenas apertavam meus ombros.
Abri os olhos de repente, atordoado. A imagem desapareceu tão depressa quanto surgiu. Devia ser minha mente tentando me torturar. Eu não me lembrava da noite em que Jack engravidou. Tampouco da segunda vez em que ficamos juntos. Não havia como aquela lembrança ser verdadeira.
Senti vontade de vomitar ao imaginá-la com Adriel. E também tive vontade de atravessar aquele corredor, invadir a cobertura e matar meu irmão. Mas, no instante seguinte, a culpa me atingiu com ainda mais força.
Jack não havia me traído. Eu a traí.
Ela esperou por mim durante sete anos. Dormiu sozinha enquanto eu passava noites fora de casa. Aceitou meus silêncios, minha ausência e todas as vezes em que olhei através dela como se não existisse.
Enquanto isso, eu alimentava a lembrança de Brianna. E agora estava destruído porque Jack escolhera se entregar a um homem que olhava diretamente para ela. Eu era tão hipócrita que chegava a ser vergonhoso.
Talvez o maior problema fosse que era Adriel. Ou talvez aquele fosse o único problema. Eu tentava, desesperadamente, acreditar naquilo.
Passei as duas mãos pelo rosto e caminhei de um lado para o outro. Queria odiá-la. Juro que tentei. Seria muito mais fácil pensar que Jack fizera aquilo para me ferir, que havia escolhido Adriel por vingança ou que esperara apenas o divórcio para correr para a cama dele.
Mas eu sabia que não era verdade. Jack certamente não pensou em mim quando dormiu com Adriel. E aquela era a parte que mais doía.
Ela não fez aquilo para me provocar. Não usou meu irmão para me atingir. Apenas seguiu em frente. Pela primeira vez na vida, tomou uma decisão pensando no que desejava, sem considerar o que eu sentiria.
Durante quinze anos, tudo nela girou ao meu redor. E agora eu já não ocupava espaço algum em suas escolhas.
Acertei a parede com a mão aberta. A dor percorreu meu braço, mas não chegou perto da que apertava meu peito.


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