Óbvio que não hesitei. Empurrei-o e saí. Antes que a porta do elevador se fechasse, falei:
— Eu nunca me vestirei assim por você. Porque estamos divorciados. E porque essa camisa não é minha. É de Adriel.
Sorri enquanto a porta se fechava entre nós.
Assim que Oliver desapareceu da minha visão, amparei-me na parede do elevador, sentindo a respiração acelerar e a vista ficar turva. Eu estava prestes a desmaiar. E não queria que Adriel me encontrasse desacordada novamente. Ele começaria a fazer perguntas, e eu já não tinha mais nenhuma desculpa convincente para aquilo.
Além disso, eu estava confusa. Não conseguia entender o que Oliver estava fazendo nem qual era o seu verdadeiro objetivo. Mas sabia que não podia ser algo bom. Ele certamente tentava encontrar alguma fraqueza em mim. Qualquer coisa que pudesse usar a seu favor para conseguir a guarda de Zoe e Maicon.
E, infelizmente... ainda que eu soubesse que aquilo duraria pouco tempo... ele ainda mexia com cada célula do meu corpo. E, pior, com o meu coração.
Fechei os olhos e coloquei a mão sobre o peito, tentando fazer os batimentos desacelerarem. Eu não deixaria Oliver me matar antes da hora. Meu coração já estava fazendo um ótimo trabalho sozinho e não precisava da ajuda do meu ex-marido.
Voltei para a cobertura, fingindo para mim mesma que estava tudo bem.
Assim que abri a porta, encontrei Adriel na sala, com uma toalha amarrada na cintura e os cabelos úmidos e despenteados. Suspirei em admiração. Mas, infelizmente, nossas poucas horas juntos haviam acabado. A vida real me chamava. E ele mal sabia o quanto ela era cruel.
— Onde... você estava? — perguntou, confuso.
— Nada importante... Eu só fui emprestar uma xícara de açúcar para o vizinho da frente.
Adriel arqueou uma sobrancelha.
— Estou brincando — falei, rindo.
Voltar para dentro daquele lugar trouxe uma paz repentina. Era aquilo que Adriel me causava. Ele era a calmaria. Oliver sempre foi a tempestade. O problema era que eu havia passado tanto tempo no meio do temporal que já não sabia viver quando tudo ficava calmo.
Ele se aproximou, puxou-me de encontro ao seu corpo e me abraçou. Correspondi ao abraço e apoiei a cabeça em seu peito.
— Por que você estava do lado de fora, Jack? — continuou perguntando.
— Fui tomar um pouco de ar.
— No... corredor?
— Sim, no corredor.
Adriel segurou meu queixo e me afastou alguns centímetros, obrigando-me a olhá-lo:
— Eu correspondi às suas expectativas, Jack?
— Sim — não hesitei em responder. — Foi uma noite incrível.
— Fico feliz que você tenha gostado. — Ele beijou a ponta do meu nariz.
Sorri e tornei a apoiar a cabeça em seu peito. Talvez aquele fosse o momento em que deveríamos permanecer abraçados e fingir que o restante do mundo não existia. Mas então ele disse:
— Eu te amo, Jack.
Meu coração disparou novamente. E, daquela vez, não foi de emoção. Afastei-me depressa e dei um passo para trás.
— Eu disse alguma coisa errada? — ele perguntou, preocupado.

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