Entrar Via

Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu romance Capítulo 174

POV Jaqueline

Quando minha mãe ligou, já passava das dez horas da noite. Fiquei em dúvida se deveria atender ou não.

Decidi atender. Se eu não quisesse ouvir o que quer que ela tivesse para me dizer, desligaria e pronto. Recusei várias ligações da minha mãe nos últimos dias porque sabia que todas tratavam do meu pai. E ela sabia disso. Ou seja, não ligaria novamente apenas para tentar me convencer a visitá-lo no hospital.

Se, no passado, quando tudo aconteceu, minha mãe tivesse percebido ao menos uma vez o quanto eu estava sofrendo, notado todas as mudanças no meu comportamento e me perguntado o que estava acontecendo, eu teria contado imediatamente sobre aquela noite no clube.

Mas ela nunca perguntou. Por isso, eu nunca contei. E aquilo se tornou um segredo meu e do meu pai. Sim, um segredo compartilhado justamente com o homem que havia destruído a minha infância.

Atualmente, eu não tinha a mínima intenção de contar à minha mãe o que aconteceu naquele clube privado, um lugar onde ela nem imaginava que eu havia entrado.

Eu morreria sem permitir que ela soubesse. Por quê? Simplesmente porque não faria diferença alguma minha mãe saber ou não. Ela fechou os olhos durante a vida inteira para tudo. Por que os abriria justamente por mim?

Contar a verdade antes de morrer para quê? Para enterrá-la sob uma culpa que carregaria pelo resto da vida, sendo que ela já tinha problemas demais para suportar?

Não, eu não precisava fazer aquilo. O momento em que precisei da minha mãe já havia passado. Procurar culpados agora não mudaria nada. Era tarde demais.

Às vezes, eu acreditava que já havia superado tudo aquilo. Mas, sempre que ouvia o som de vidro se quebrando, meu corpo inteiro se retraía e começava a tremer.

Eu nunca havia entrado numa casa noturna porque lugares assim também me remetiam àquele clube... o cheiro forte de bebida, a música alta, gente demais ao meu redor...

Mas Natália conseguiu me levar uma vez. E acredito que naquela noite eu tenha aceitado porque estava completamente abalada e queria desesperadamente superar a dor de encontrar Oliver com Brianna.

E não foi tão ruim. Afinal, conheci Adriel e consegui permanecer um tempo razoável naquele lugar. Inclusive bebi, algo que abominava mais do que praticamente tudo na vida.

Mas minha vida era curta. E, no dia em que recebi aquele diagnóstico, coincidentemente o mesmo em que descobri que estava sendo traída, decidi fazer tudo o que nunca havia feito. Porque não fiz absolutamente nada durante a adolescência ou na vida adulta. Fui mãe e esposa. Nem sequer mulher eu havia sido.

Passei tempo demais presa a um passado que só me trouxe tristeza e dor. Agora, eu tinha apenas o presente. Nem futuro eu possuía. E faria cada dia que ainda me restava valer a pena.

— Oi, mãe.

Ouvi o choro dela do outro lado da linha e respirei fundo, tentando não rir.

Quase perguntei o que Johnny havia feito, porque eu já sabia que era alguma coisa relacionada a ele. Ou, se eu tivesse sorte, meu pai finalmente havia morrido e eu poderia riscar outro item da minha lista, considerando-o realizado, já que a pessoa que precisava perdoar não estaria mais viva.

Eu não tinha vontade alguma de perdoar meu pai. Mas também não queria partir sem dar aquela história por encerrada. Atualmente, eu já sabia que não havia sido culpada por tudo que aconteceu. E, no fundo, ainda tentava justificar que foi porque ele estava bêbado... e que, se estivesse sóbrio, jamais teria permitido que aquela situação acontecesse.

Eu sabia que meu perdão era importante para ele, já que havia me pedido várias vezes que o perdoasse. Ou seja, era bastante difícil perdoar o homem que arruinou a minha infância. Mas eu acreditava que experimentar sentimentos que não consegui ter ao longo da vida talvez pudesse me fazer evoluir de alguma forma como pessoa.

Porém, se o meu pai morresse, eu não precisaria mais me preocupar com a minha evolução espiritual.

— Johnny está no hospital, Jack.

Que novidade!

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus marido, seu amor nunca me pertenceu