Assim que saí do carro, ouvi os gritos vindos do interior da mansão:
— Chame uma ambulância para aquele filho da puta, Niko. Ou, se for necessário, uma funerária. Ligo para você assim que puder. Alguma coisa bem mais séria está acontecendo na minha casa.
Encerrei a ligação. Nem tive tempo de temer o que poderia acontecer comigo por talvez ter matado Johnny. Naquele momento, prisão, julgamento ou qualquer outra consequência pareciam problemas de uma versão futura de mim. A versão atual só conseguia ouvir os gritos dos meus filhos.
Tudo o que eu queria e precisava era entrar em casa, descobrir o que havia acontecido com Zoe e Maicon e ter certeza de que os dois estavam bem.
Quando abri a porta, meus dedos tremiam tanto que quase não consegui girar a maçaneta. Brianna estava de pé no meio da sala, gritando. Zoe e Maicon permaneciam parados ao lado da minha mãe, que tentava alcançar o mesmo tom de voz de Brianna e parecia pronta para iniciar uma guerra dentro da minha sala.
Quando me viram, Zoe e Maicon correram em minha direção. Ao perceber que estavam sãos e salvos, meu corpo relaxou imediatamente. Foi como se meus pulmões finalmente voltassem a receber ar e meu coração se lembrasse de que não precisava abandonar meu peito.
Os dois ergueram os bracinhos, e eu os tirei do chão ao mesmo tempo. Cada um se agarrou ao meu pescoço, e havia tantos braços ao redor de mim que parecia que eu havia sido capturado por um polvo pequeno, loiro, moreno e completamente descontrolado.
Brianna parou de gritar. Seus olhos estavam vermelhos e inchados de tanto chorar.
— O que... aconteceu aqui? — Olhei para minha mãe e depois para Brianna, tentando entender qual delas parecia mais propensa a cometer um assassinato.
Ela levantou os cabelos e voltou a gritar:
— Olhe o que seus filhos fizeram comigo... — mostrou os fios grudados, amassados e completamente estranhos.
— O que... eles fizeram? — tentei entender, aproximando-me um pouco mais.
Brianna veio em minha direção, e então eu finalmente vi. Mas preferia ter desvisto.
— Eles colaram um chiclete no meu cabelo, Oli... Um chiclete... — Ela voltou a chorar, como se Zoe e Maicon tivessem arrancado metade do seu couro cabeludo.
Olhei para Maicon. Ele abaixou a cabeça e não disse absolutamente nada. A expressão séria demais para uma criança de seis anos demonstrava que ele sabia muito bem o que havia acontecido.
— Zoe... — pedi uma explicação.
Ela apertou ainda mais meu pescoço, encostou a cabeça no meu ombro e sussurrou:
— Eu queria... que ela ficasse igual à mamãe.


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