Brianna me abraçava. Percebi que o carro estava parado no acostamento e que eu segurava o cinto de segurança com tanta força que meus dedos doíam.
Fiquei atordoado. Fazia muito tempo que aquilo não acontecia. Depois de anos de terapia, consegui empurrar aquelas lembranças para uma parte escura da minha mente. Uma parte que eu acreditava controlar.
Mas não controlava. Eu não dominava porra nenhuma na minha vida. Nem o passado, nem o presente, muito menos o futuro.
Olhei para Brianna e me afastei de seus braços.
— Você... nunca mais tinha feito isso, Oli.
— Dirija — ordenei. — Quero voltar para casa.
— Não. Eu não vou dirigir como se nada tivesse acontecido. Já faz doze anos, Oli... doze anos desde aquela noite. E você nunca me contou a verdade.
— Não existe verdade alguma para contar — respondi, seco. — Fui assaltado e pronto.
— Mas te machucaram, Oli. Machucaram muito. Acha que algum dia acreditei que aquela viagem repentina não tinha relação com o assalto?
— Brianna, eu já disse que esse assunto não tem nada a ver com você.
Falar sobre aquilo era proibido. Um segredo que meu pai guardava comigo. Minha mãe sabia apenas parte do que aconteceu e nunca insistiu para que eu lhe contasse o restante.
E não seria Brianna quem desenterraria aquilo que levei anos de terapia para conseguir sepultar.
— Nós estamos começando uma vida juntos, Oli! — ela gritou, finalmente perdendo o controle. — Por que sinto que você não está entrando nessa relação como eu? Por que está me evitando? Por que nunca confiou em mim o suficiente para contar sobre seu passado? Você falou de Jaqueline, do casamento fracassado, do doping... Mas nunca me disse o que realmente aconteceu naquele assalto.
— Não... — ergui a mão, tentando afastá-la. — Eu não quero falar sobre isso.
— Eles te machucaram, Oli? O que fizeram com você quando te pegaram? E as cicatrizes?
Meu corpo inteiro enrijeceu:
— Não! — gritei. — Você está proibida de falar sobre isso.
Brianna ficou imóvel. Eu ainda estava ofegante. Meu coração batia com tanta força que parecia que saltaria para fora do peito.


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