Eu traí Jaqueline. E exatamente por esse motivo não tinha direito algum de cobrar nada dela. Tampouco acreditava que ela tivesse mantido um caso com Adriel antes do divórcio. Eu a conhecia o suficiente para saber que ela não era filha da puta como eu.
Por que traí? E não sabia.
Talvez fosse da minha índole. Talvez estivesse no meu sangue por eu ser filho de um homem que também havia traído a esposa. Ou talvez eu simplesmente fosse o pior ser humano da face da Terra e devesse parar de procurar justificativas para decisões que tomei plenamente consciente.
Quando reencontrei Brianna, foi como se tivesse reencontrado a mim mesmo. E agora eu compreendia que realmente havia sido isso. Desde aquele momento, tentei voltar no tempo e viver o que acreditava ter perdido. Mas aquele reencontro também me obrigou a entender que algumas coisas, quando se perdem, jamais voltam a ser como antes.
Brianna e eu éramos a prova. E talvez Jack e eu também fôssemos.
Não dava para voltar ao começo, porque tudo havia começado errado. Desde a primeira vez que vi Jack com aqueles olhos escuros e assustados, os cabelos presos num rabo de cavalo no alto da cabeça e um vestido solto, cheio de coraçõezinhos de vários tamanhos e cores.
Eu não podia recuperar o tempo que perdemos. Mas ela não estava morta.
Jack havia resistido a muitas coisas. Sobreviveu ao insuperável, deixou-me para trás e começou a reconstruir a própria vida.
E foi naquele instante, dentro do carro, ao lado da mulher que julguei amar a vida inteira, que decidi que conquistaria Jack.
Não reconquistaria. Porque eu nunca a conquistei de verdade.
Ela me amou sem que eu precisasse fazer absolutamente nada. Eu nunca lhe dei flores, nunca a convidei para um encontro, nunca a levei para dançar, nunca tentei descobrir seus gostos. Não precisei lutar por seu amor porque ele sempre esteve disponível.
Agora não estava mais.
Eu não queria de volta aquela Jack medrosa, assustada e que não sabia exatamente quem era. Aquela menina havia desaparecido muito antes do divórcio. E talvez fosse melhor assim, porque ela me amava mais do que amava a si mesma.
Eu queria a Jack mulher. Aquela que eu via ao lado de Adriel, cheia de vida, dona de si, capaz de sorrir, se impor e me enfrentar sem baixar a cabeça.
Eu queria a Jack que me afrontava, que não se calava e que se vestia como se o mundo inteiro precisasse se dobrar diante dela.
Queria aquela nova mulher, que havia ressurgido depois de todas as rasteiras que a vida lhe dera. Porque sabia que a outra, assim como a Jack criança, havia sido enterrada.

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